A água que murmura espectros lentos
O que houve e não houve e não volta nunca mais
Os quartos sem esperança que os guardasse
As casas sem anjo da guarda
A luz intensa bela e dolorosa
A adolescência dilacerada
A ternura dezoito anos recusada
Na casa dos Átridas
O crime horroroso que não houve
Mas as feridas abriram manaram um sangue
Que penetra implacável as fendas do sono
E me deixa acordado à beira da estrada
Com lágrimas que percorrem
Trinta e quatro anos
ALBERTO DE LACERDA pintura de Rui Filipe-1962
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
os Mestres
O principal para ti é prestares atenção a todo o momento, estar atento ao que chega à tua mente e ao teu coração. Reflete sobre estes pensamentos e sentimentos. Analisa-os. Tenta controlá-los. Tenha cuidado com os desejos do teu ego, salda tuas dívidas para com ele.
Tem consciência, vergonha frente a Deus. Ele será um bom motivo para estares prudente, vigilante. Te preocuparás, então, pelo que estás fazendo, dizendo e pensando, e os pensamentos e sentimentos que sejam feios aos olhos de Deus não poderão assentar-se em teu coração. Teu coração estará assim a salvo de desejar ações que não estejam de acordo com a vontade de Deus. Valoriza teu tempo, vive o presente. Não vivas imaginariamente, ou gastes mal o tempo de que dispões. Deus prescreveu um dever, um acto, um culto para cada momento. Aprende qual é e apressa-te para fazê-lo. Primeiro leva a cabo as ações que Ele estabeleceu como obrigatórias. Logo, realiza o que mandou fazer por meio do exemplo do seu Profeta. Depois, faz também as acções boas e aceitáveis que Ele deixou para tua livre decisão. Trabalha para servir aos que estejam necessitados. Tudo quanto faças, faça-o com o propósito de te aproximares de teu Senhor em teus actos de adoração e nas orações. Pensa que cada ação pode ser teu último acto, que cada oração pode ser tua última prostação, que pode ser que não tenhas outra oportunidade. Se o fazes assim, terás um novo motivo para manter-te vigilante e, também, para chegar a ser sincero e verdadeiro. Deus valoriza menos as boas acções feitas inconscientemente e sem sinceridade, que as realizadas consciente e sinceramente.
IBN ARABÎ
poemas de Rumi

Desde que chegaste ao mundo do ser,
uma escada foi posta diante de ti, para que escapasses.
Primeiro, foste mineral;
depois, te tornaste planta,
e mais tarde, animal.
Como pode isto ser segredo para ti?
Finalmente, foste feito homem,
com conhecimento, razão e fé.
Contempla teu corpo - um punhado de pó -
vê quão perfeito se tornou!
Quando tiveres cumprido tua jornada,
decerto hás de regressar como anjo;
depois disso, terás terminado de vez com a terra,
e tua estação há-de ser o céu.
Não durmas,
senta-te com teus pares.
A escuridão oculta a água da vida.
Não te apresses, vasculha o escuro.
Os viajantes nocturnos estão plenos de luz;
não te afastes pois da companhia de teus pares.
Faltam-te pés para viajar?
Viaja dentro de ti mesmo,
e reflecte, como a mina de rubis,
os raios de sol para fora de ti.
A viagem conduzirá a teu ser,
transmutará teu pó em ouro puro.
- Vem ao jardim na primavera, disseste.
- Aqui estão todas as belezas, o vinho e a luz.
Que posso fazer com tudo isso sem ti?
E, se estás aqui, para que preciso disso?
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
"Antas e Menires" - J. Alexandre Cotta
Segundo os historiadores os Menires e as Antas ou Dólmenes são construções do período neolítico e calcolítico. O Menir é um megálito (pedra grande), uma coluna erguida em direcção ao céu. A Anta é igualmente urna construção megalítica formada por pedras colocadas na vertical, formando urna câmara circular, sobre a qual assenta uma laje. Baseados no que foi encontrado, os arqueólogos referem que as Antas eram monumentos funerários. Quanto aos Menires não há grande informação sobre para que serviam, admitindo-se estarem relacionados com o simbolismo da vitalidade devido à sua forma fálica e à fecundidade da terra.
Com o intuito de os estudar sob o ponto de vista das suas características energéticas e de localização, desloquei-me recentemente ao Alentejo com os nossos amigos Paulo Alexandre Loução e Ana Isabel Vieira, investigadores das profundas raízes lusitanas. Paulo Loução é o autor dos livros Os Templários na Formação de Portugal, Portugal Terra de Mistérios, A Descoberta do Brasil, A Viagem de Vasco da Gama e O Espírito dos Descobrimentos Portugueses da Editora Ésquilo de que a todos vivamente recomendo a leitura. No seu mais recente livro intitulado A Alma Secreta de Portugal há um capítulo, ilustrado, dedicado à pesquisa que efectuamos.
Interessa-nos fundamentalmente verificar se os Menires e as Antas apresentam características semelhantes, principalmente no que diz respeito à sua localização em relação a: cursos de água subterrânea, rede global (Hartmann), rede diagonal (Curry), equilíbrio cosmo-telúrico, vórtices, polaridades, taxas vibratórias, raios fundamentais e outros critérios de análise.
Sinto que estas construções eram, e em alguns casos ainda são, multi-funcionais, a diferentes níveis. Fundamento-me no que consigo detectar através da pesquisa radiestésica. Assim, em minha opinião, quer as Antas quer os Menires destinar-se-iam a ser:
- Locais de iniciação coletiva relacionadas com a preparação para a vida e para a morte em ambientes de perfeito equilíbrio cosmo-telúrico.
- Locais de encontro, de populações dispersas, de acordo com os ciclos de sementeira, colheita, reprodução ou das fases da Lua, eclipses, e outros fenómenos astronómicos.
- Locais favoráveis, à domesticação e crescimento de animais, à caça ou ao crescimento de plantas alimentares e medicinais.
- Como refere a arqueo-astronomia, também conhecida por astro-arqueologia, não é de afastar a possibilidade das suas localizações (dentro de certas áreas) reflectirem no solo as estrelas que formam constelações no céu.
Especificamente, as Antas destinar-se-iam a ser:
- Locais rituais de "passagem", portas ou telas que separam a vida da morte. Poderiam perfeitamente ser lugares de morte "assistida" bem como de nascimento fisico (partos) pela sua configuração protectora, circular, em que na parte central encontramos espaços completamente livres de factores perturbadores. Detectamos a presença de verde negativo, uma fortíssima frequência que, como factor isolado (o que não é o caso da anta) pode provocar efeitos muito nefastos a nível celular.
- Indicadores, através dos seus eixos cardeais, da posição precisa do Sol e/ou da Lua em Equinócios e/ou Solstícios.
- Locais de culto à Mãe Natureza, relacionados com o elemento água. A própria confluência de vários veios de água subterrânea (que contornam mas não atravessam a anta) num ponto à frente da sua entrada, podia servir como fonte de abastecimento de água principalmente quando os veios se encontram a pequena profundidade.
Especificamente, os Menires destinar-se-iam a ser:
- Como que sinalizadores de lugares sagrados. As elevadas taxas vibratórias assim o indicam.
- Sob o ponto de vista involutivo: fixadores de consciência para aceleração da penetração do espírito na matéria com o consequente aumento de sensibilidade.
- Sob o ponto de vista evolutivo: intensificadores de percepção psíquica para resolução de necessidades colectivas.
- Locais relacionados com a agricultura, com o gado e com o elemento terra. Os Menires são antenas emissoras que desenvolvem uma acção contínua e vitalizante sobre o meio ambiente. Ao contrário das Antas, os Menires concentram em si vários factores como veios de água subterrânea e cruzamentos das redes. Por força dessa concentração, as malhas das redes Hartmann e Curry são aí menores que o normal. No menir que estudamos foi possível verificar que o mesmo se encontra a cerca de um metro do ponto de confluência dos factores, ou seja do seu local original. Concluímos que quando foi levantado em 1964 deve ter sofrido um deslizarnento que apesar de pequeno é importante uma vez que reduz todo o seu potencial.
Portugal tem, dentro da Península Ibérica, uma quantidade de antas e menires muito importantes. Com a excepção nítida da Galiza e algumas faixas costeiras de Espanha (a norte e a sul) eles cobrem a totalidade do território nacional. Dir-se-ia que os limites de Portugal há muito já estavam marcados por essas construções!
É para nós dificil imaginar que os construtores das Antas e Menires tenham sido os homens primitivos a que normalmente se associa o período neolítico. Estas construções revelam precisamente o contrário. Embora sejam estruturas arquitectónicas simples, mas variadas, os locais onde foram levantados mostram um padrão constante e elaborado que não pode ser obra do acaso. Quem os edificou tinha necessariamente conhecimentos que hoje se ignoram. Então a questão que se coloca é: ou essas construções são muito mais antigas do alguma vez foi imaginado ou teremos de rever conceitos da pré-história dados como adquiridos.
A possibilidade do equívoco histórico foi bem caracterizada por lbrahim Karim. Diz ele que se a humanidade daqui a 10.000 anos desconhecer o que seja a electricidade (porque entretanto foram descobertas outras formas de energia e a electricidade abandonada), os arqueólogos da altura dirão que por volta do século XX D. C. havia deuses comuns em toda a Terra, que a humanidade adorava em suas casas e cujos nomes mais conhecidos eram: Sony, Grundig Panasonic e Philips...
Christopher Bird e Peter Tompkins autores do livro The Secret Life of Plants mostram que certas experiências com plantas só se verificam se o experimentador se encontrar em determinados estados psíquico/emocionais. Recentes experiências na área da Física Quântica vão no mesmo sentido. O que é isto quer dizer? No que se refere às Antas, Menires, Cromeleques (agrupamentos de menires dispostos em círculo) e Alinhamentos (grupo de menires organizados em linha recta) o estado em que nos encontramos é determinante, ou seja, se nesses monumentos só sentirmos que estamos diante de um conjunto de pedras, então elas reagirão em conformidade: serão somente pedras, tão "brutas" e fechadas quanto os observadores. Se, no entanto, interagirmos com elas, com respeito e consideração (semelhante ao que os xamãs de todo o mundo têm para com a natureza e o que consideram sagrado) então essas mesmas pedras começam a "falar", a revelar os seus segredos e inclusive a ajudar-nos, se para tal forem solicitadas (cumprindo, naturalmente, uma das funções para que foram construídas).
Bill Cox, quando esteve em Portugal em 2001, referiu-nos a possibilidade de, através da Psicometria, poderem ser lidas impressões sobre contecimentos passados que estão gravadas em objectos e pedras. Como é possível? De um lado temos a capacidade de registo do silício (que utilizamos todos os dias nos computadores, relógios ou chips dos cartões bancários). Do outro lado está a sensibilidade do operador. Porque contêm silício, as pedras são como que gigantescas bases de dados que registam tudo o que presenciaram ao longo do tempo. Podemos dizer que uma nova ciência está a surgir através do desenvolvimento da sensibilidade psíquica. Também aqui a Radiestesia dá o seu contributo.
Vimos em antas e menires sinais de violação (grafites e restos de rituais de magia) mas também tivemos oportunidade de ver autênticos santuários naturais, felizmente protegidos e "invisíveis" aos olhos do materialismo actual. Tal como na lenda, o Galo, apesar de degolado, continua a cantar, anunciando a aurora...
Porque será que tantas igrejas antigas foram edificadas em lugares megalíticos?
Como bem observou o Paulo Loução, que ligação poderá haver entre os Menires e os Pelourinhos? Ou os Obeliscos? pergunto eu.
Se há quem, actualmente, utilize pequenos menires para funções de harmonização ambiental, será ambição exagerada fazermos o mesmo para esse e outros fms? Se há quem, há muito, utilize a Radiestesia na pesquisa arqueológica, será demasiada ousadia tentarmos o mesmo em Portugal?
extraído de J. ALEXANDRE COTTA
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
O bestiário do livro do Apocalipse de Lorvão
«Naturalmente que, ao longo de toda a história, os emblemas, os símbolos, tiveram, e continuam a ter, uma importância e uma força impressionantes, aos mais diversos níveis da vida dos homens e da sociedade, podendo mesmo considerar-se como formas que as mais diversas ortodoxias foram e vão usando sobretudo como meios de poder.
Os livros são, na Idade Média, o meio por excelência do saber. Daí a importância das livrarias e bibliotecas, numa ciência que é antes de mais de base livresca e onde é notória a estreita ligação entre o o saber e o poder. As mais importantes livrarias situam-se nas três bibliotecas dos mosteiros de Lorvão, Santa Maria de Alcobaça e Santa Cruz de Coimbra. De modo geral, o acto de leitura na Idade Média era entendido quase como um acto litúrgico, eivado de um sentimento de grande intimidade entre o leitor e o livro.»
Maria Celeste Natário em Itinerários do Pensamento Filosófico Português.
Um dos mais belos tesouros do Portugal medievo é o livro do Apocalipse do Lorvão, assim chamado dada, a sua proveniência, a biblioteca do mosteiro de S. Mamede do Lorvão. Conservada hoje no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, para onde foi levada por Alexandre Herculano, ela representa uma das principais e mais antigas obras medievais portuguesas que sobreviveram até aos nossos dias.
Datado de meados do século XII, o Apocalipse do Lorvão assume-se com a magnus opus do Portugal românico, percebendo-se ainda algumas influências artísticas de natureza moçárabes. As suas iluminuras, realçadas pelas suas três cores vivas, o vermelho, laranja, e amarelo, conjugadas com o branco que surge como uma quarta cor, moldam e acentuam o impacto visual do texto de S. João, marcado pelas suas visões apocalípticas.
Um dos mais interessantes olhares sobre o Apocalipse do Lorvão passa pela análise do seu bestiário. As bestas que povoam o imaginário das suas iluminuras reflectem mais do que a mensagem bíblica, transmitida por S. João. Elas ilustram o imaginário fantástico do homem medieval, dando a conhecer alguns dos seus maiores medos. Resolvemos por isso seleccionar uma das iluminuras que constituem o chamado bestiário de Lorvão, publicando-a aqui de forma a dar a conhecer um pouco melhor a mundividência dos homens que um dia fundaram Portugal.
Os livros são, na Idade Média, o meio por excelência do saber. Daí a importância das livrarias e bibliotecas, numa ciência que é antes de mais de base livresca e onde é notória a estreita ligação entre o o saber e o poder. As mais importantes livrarias situam-se nas três bibliotecas dos mosteiros de Lorvão, Santa Maria de Alcobaça e Santa Cruz de Coimbra. De modo geral, o acto de leitura na Idade Média era entendido quase como um acto litúrgico, eivado de um sentimento de grande intimidade entre o leitor e o livro.»
Maria Celeste Natário em Itinerários do Pensamento Filosófico Português.
Um dos mais belos tesouros do Portugal medievo é o livro do Apocalipse do Lorvão, assim chamado dada, a sua proveniência, a biblioteca do mosteiro de S. Mamede do Lorvão. Conservada hoje no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, para onde foi levada por Alexandre Herculano, ela representa uma das principais e mais antigas obras medievais portuguesas que sobreviveram até aos nossos dias.
Datado de meados do século XII, o Apocalipse do Lorvão assume-se com a magnus opus do Portugal românico, percebendo-se ainda algumas influências artísticas de natureza moçárabes. As suas iluminuras, realçadas pelas suas três cores vivas, o vermelho, laranja, e amarelo, conjugadas com o branco que surge como uma quarta cor, moldam e acentuam o impacto visual do texto de S. João, marcado pelas suas visões apocalípticas.
Um dos mais interessantes olhares sobre o Apocalipse do Lorvão passa pela análise do seu bestiário. As bestas que povoam o imaginário das suas iluminuras reflectem mais do que a mensagem bíblica, transmitida por S. João. Elas ilustram o imaginário fantástico do homem medieval, dando a conhecer alguns dos seus maiores medos. Resolvemos por isso seleccionar uma das iluminuras que constituem o chamado bestiário de Lorvão, publicando-a aqui de forma a dar a conhecer um pouco melhor a mundividência dos homens que um dia fundaram Portugal.
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Aqui escreve-se e sempre se escreverá em Português!
Terça-feira, 25 de Janeiro de 2011
«Eu, porém, não defendo - nem, presumo, defender alguém - o critério de que o Estado, onde tem ingerência, admita variações ortográficas. Como o indivíduo, o Estado - que em certo modo é também um indivíduo - adopta a - e uma só - ortografia, boa ou má, que entende, e impõe-a onde superintende.»
Fernando Pessoa em A Língua Portuguesa.
«Vamos desobedecer! Nunca foi tão fácil ignorar impunemente um acordo feito atrás das nossas costas, enquanto dormíamos, por quem estava sempre a acordar.»
Miguel Esteves Cardoso sobre o novo (des)acordo ortográfico.
«A elaboração, aprovação e aplicação do Acordo Ortográfico é um escândalo nacional. Um verdadeiro case study sobre a falta de transparência e democraticidade com que dossiers da Cultura, da Educação e da Ciência são sistematicamente tratados em Portugal.»
António Emiliano em Apologia do Desacordo Ortográfico.
Foi com uma sentida tristeza e um profundo pesar que recebemos hoje a confirmação da sentença de morte da língua portuguesa às mãos do novo (des)acordo ortográfico. A Presidência do Conselho de Ministros determinou a aplicação do novo (des)acordo ortográfico da língua portuguesa no sistema educativo já no próximo ano lectivo de 2011-2012. Este culturicídio estender-se-á ao Governo e a todos os serviços, organismos e entidades na sua dependência, bem como à publicação do Diário da República, a partir do dia 1 de Janeiro de 2012. Não obstante, a própria Rádio Televisão Portuguesa começou já a contaminar os seus espectadores, pelo que incitamos e apoiamos o seu boicote.
Ao longo do último ano fomos assistindo de uma forma lamentável à gradual adopção da nova ortografia por grande parte dos jornais e revistas portuguesas, com as notáveis excepções de publicações como Público e O Diabo, os únicos periódicos que a partir de hoje passarão a merecer o nosso carinho e respeito pela sua patriótica posição.
Aos que insistem em classificar esta mudança como irreversível e fruto do progresso, gostaríamos de lembrar que após perdermos todos os resquícios de soberania que ainda detínhamos, a língua era a única riqueza segura, um tesouro que não nos parecia alienável. Infelizmente, também ela foi vendida aos interesses económicos, por (des)governantes mercenários, incompetentes, vis, sem carácter, honra ou dignidade, gananciosos, abjectos, obtusos, ignorantes, analfabetos, cornudos, bastardos, brutos, feios, porcos e maus. A este grupo de criaturas inferiores, quase humanas, juntamos autores como Mia Couto ou a gentalha de movimentos como o MIL que, aproveitando-se da confusão, procuram conseguir alguma projecção ou razão de ser para as suas ignóbeis existências.
Jamais postulámos que o português era uma língua morta e inorgânica, pelo contrário. Sempre defendemos a língua lusíada como um organismo vivo e em constante mutação. Contudo, esta mutação processa-se de forma natural e não de um modo artificial, por decreto político-económico, completamente alheio aos princípios fundamentais da linguística.
É caso para pensar se institucionalmente fará algum sentido continuar-se a celebrar o 10 de Junho como dia de Portugal, em homenagem Luís Vaz de Camões. Quanto à Nossa Alma, desígnio maior desta Pátria mutilada, essa continuará para sempre orgulhosamente Portuguesa. De hoje em diante, mais do que nunca, ou connosco ou contra nós!
Publicado in Nova Casa Portuguesa
«Eu, porém, não defendo - nem, presumo, defender alguém - o critério de que o Estado, onde tem ingerência, admita variações ortográficas. Como o indivíduo, o Estado - que em certo modo é também um indivíduo - adopta a - e uma só - ortografia, boa ou má, que entende, e impõe-a onde superintende.»
Fernando Pessoa em A Língua Portuguesa.
«Vamos desobedecer! Nunca foi tão fácil ignorar impunemente um acordo feito atrás das nossas costas, enquanto dormíamos, por quem estava sempre a acordar.»
Miguel Esteves Cardoso sobre o novo (des)acordo ortográfico.
«A elaboração, aprovação e aplicação do Acordo Ortográfico é um escândalo nacional. Um verdadeiro case study sobre a falta de transparência e democraticidade com que dossiers da Cultura, da Educação e da Ciência são sistematicamente tratados em Portugal.»
António Emiliano em Apologia do Desacordo Ortográfico.
Foi com uma sentida tristeza e um profundo pesar que recebemos hoje a confirmação da sentença de morte da língua portuguesa às mãos do novo (des)acordo ortográfico. A Presidência do Conselho de Ministros determinou a aplicação do novo (des)acordo ortográfico da língua portuguesa no sistema educativo já no próximo ano lectivo de 2011-2012. Este culturicídio estender-se-á ao Governo e a todos os serviços, organismos e entidades na sua dependência, bem como à publicação do Diário da República, a partir do dia 1 de Janeiro de 2012. Não obstante, a própria Rádio Televisão Portuguesa começou já a contaminar os seus espectadores, pelo que incitamos e apoiamos o seu boicote.
Ao longo do último ano fomos assistindo de uma forma lamentável à gradual adopção da nova ortografia por grande parte dos jornais e revistas portuguesas, com as notáveis excepções de publicações como Público e O Diabo, os únicos periódicos que a partir de hoje passarão a merecer o nosso carinho e respeito pela sua patriótica posição.
Aos que insistem em classificar esta mudança como irreversível e fruto do progresso, gostaríamos de lembrar que após perdermos todos os resquícios de soberania que ainda detínhamos, a língua era a única riqueza segura, um tesouro que não nos parecia alienável. Infelizmente, também ela foi vendida aos interesses económicos, por (des)governantes mercenários, incompetentes, vis, sem carácter, honra ou dignidade, gananciosos, abjectos, obtusos, ignorantes, analfabetos, cornudos, bastardos, brutos, feios, porcos e maus. A este grupo de criaturas inferiores, quase humanas, juntamos autores como Mia Couto ou a gentalha de movimentos como o MIL que, aproveitando-se da confusão, procuram conseguir alguma projecção ou razão de ser para as suas ignóbeis existências.
Jamais postulámos que o português era uma língua morta e inorgânica, pelo contrário. Sempre defendemos a língua lusíada como um organismo vivo e em constante mutação. Contudo, esta mutação processa-se de forma natural e não de um modo artificial, por decreto político-económico, completamente alheio aos princípios fundamentais da linguística.
É caso para pensar se institucionalmente fará algum sentido continuar-se a celebrar o 10 de Junho como dia de Portugal, em homenagem Luís Vaz de Camões. Quanto à Nossa Alma, desígnio maior desta Pátria mutilada, essa continuará para sempre orgulhosamente Portuguesa. De hoje em diante, mais do que nunca, ou connosco ou contra nós!
Publicado in Nova Casa Portuguesa
Isabel Silvestre
Aí senhor das furnas
Que escuro vai dentro de nós
Rezar o terço ao fim da tarde
Só para espantar a solidão
Rogar a Deus que nos guarde
Confiar-lhe o destino na mão
Que adianta saber as marés
Os frutos e as sementeiras
Tratar por tu os ofícios
Entender o suão e os animais
Falar o dialecto da terra
Conhecer-lhe o corpo pelos sinais
E do resto entender mal
Soletrar assinar em cruz
Não ver os vultos furtivos
Que nos tramam por trás da luz
Aí senhor das furnas
Que escuro vai dentro de nós
A gente morre logo ao nascer
Com olhos rasos de lezíria
De boca em boca passar o saber
Com os provérbios que ficam na gíria
De que nos vale esta pureza
Sem ler fica-se pederneira
Agita-se a solidão cá no fundo
Fica-se sentado à soleira
A ouvir os ruídos do mundo
E a entendê-los à nossa maneira
Carregar a superstição
De ser pequeno ser ninguém
Mas não quebrar a tradição
Que dos nossos avós já vem
Que escuro vai dentro de nós
Rezar o terço ao fim da tarde
Só para espantar a solidão
Rogar a Deus que nos guarde
Confiar-lhe o destino na mão
Que adianta saber as marés
Os frutos e as sementeiras
Tratar por tu os ofícios
Entender o suão e os animais
Falar o dialecto da terra
Conhecer-lhe o corpo pelos sinais
E do resto entender mal
Soletrar assinar em cruz
Não ver os vultos furtivos
Que nos tramam por trás da luz
Aí senhor das furnas
Que escuro vai dentro de nós
A gente morre logo ao nascer
Com olhos rasos de lezíria
De boca em boca passar o saber
Com os provérbios que ficam na gíria
De que nos vale esta pureza
Sem ler fica-se pederneira
Agita-se a solidão cá no fundo
Fica-se sentado à soleira
A ouvir os ruídos do mundo
E a entendê-los à nossa maneira
Carregar a superstição
De ser pequeno ser ninguém
Mas não quebrar a tradição
Que dos nossos avós já vem
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
A Obra e o Pensamento de António Telmo
«O acabar da história que consistirá em ser bruscamente engolida pelo nada que essencialmente é, vai seguido do Apocalipse, porquanto Apocalipse não significa como o vulgo julga. Significa Revelação. A Revelação que é, seguindo ainda Joaquim de Flora, a do Reino do Espírito Santo somente poderá acontecer fora da história e sem qualquer relação com a história, esse nada de si mesmo que foi como o sonho de um sonho em que não se deu qualquer síntese de comentários, mas sim uma sucessão de posições antitéticas no declive fatal para o abismo.»
António Telmo em Portugal dans la découverte d'au-delà de l'histoire.
Algumas personalidades pecam por deixar-nos demasiado cedo. Mesmo quando o fazem aos 83 anos. Foi o que aconteceu com o distinto pensador português António Telmo, discípulo de Álvaro Ribeiro e de José Marinho, falecido em finais de 2010, após uma vida bastante activa e rica intelectualmente, dedicando-se ao aprofundamento do sentido histórico, sagrado e esotérico da Portugalidade.
Em reconhecimento pelo seu esforço, trabalho e dedicação em prol do desvendamento dos mistérios e quimeras da Lusitanidade e Portugalidade, irá realizar-se nos próximos dias 14 e 15 de Fevereiro, no Palácio da Independência em Lisboa, um colóquio de homenagem a este filosofo, dedicado inteiramente à sua obra e pensamento.
Promovido pelo Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, este encontro conta com a presença e participação de nomes como Pinharanda Gomes, António Braz Teixeira, Paulo Teixeira Pinto, Paulo Borges, Rui Lopo, Pedro Sinde, entre outros, sendo a entrada livre.
«O acabar da história que consistirá em ser bruscamente engolida pelo nada que essencialmente é, vai seguido do Apocalipse, porquanto Apocalipse não significa como o vulgo julga. Significa Revelação. A Revelação que é, seguindo ainda Joaquim de Flora, a do Reino do Espírito Santo somente poderá acontecer fora da história e sem qualquer relação com a história, esse nada de si mesmo que foi como o sonho de um sonho em que não se deu qualquer síntese de comentários, mas sim uma sucessão de posições antitéticas no declive fatal para o abismo.»
António Telmo em Portugal dans la découverte d'au-delà de l'histoire.
Algumas personalidades pecam por deixar-nos demasiado cedo. Mesmo quando o fazem aos 83 anos. Foi o que aconteceu com o distinto pensador português António Telmo, discípulo de Álvaro Ribeiro e de José Marinho, falecido em finais de 2010, após uma vida bastante activa e rica intelectualmente, dedicando-se ao aprofundamento do sentido histórico, sagrado e esotérico da Portugalidade.
Em reconhecimento pelo seu esforço, trabalho e dedicação em prol do desvendamento dos mistérios e quimeras da Lusitanidade e Portugalidade, irá realizar-se nos próximos dias 14 e 15 de Fevereiro, no Palácio da Independência em Lisboa, um colóquio de homenagem a este filosofo, dedicado inteiramente à sua obra e pensamento.
Promovido pelo Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, este encontro conta com a presença e participação de nomes como Pinharanda Gomes, António Braz Teixeira, Paulo Teixeira Pinto, Paulo Borges, Rui Lopo, Pedro Sinde, entre outros, sendo a entrada livre.
O vento mudou
Ouçam
Ouçam
O vento mudou
Ela não voltou
As aves partiram
As folhas caíram
Ela quis viver
E o mundo correr
Prometeu voltar
Se o vento mudar
E o vento mudou
E ela não voltou
Sei que ela mentiu
P'ra sempre fugiu
Vento por favor
Traz-me o seu amor
Vê que eu vou morrer
Sem não mais a ter
Nuvens tenham dó
Que eu estou tão só
Batam-lhe à janela
Chorem sobre ela
E as nuvens choraram
E quando voltaram
Soube que mentira
P'ra sempre fugira
Nuvens por favor
Cubram minha dor
Já que eu vou morrer
Sem não mais a ter
Ouçam Ouçam ouçam Ouçam ouçam
Letra de João Magalhães Pereira
Música de Nuno Nazareth Fernandes
Intérprete Eduardo Nascimento
Ouçam
O vento mudou
Ela não voltou
As aves partiram
As folhas caíram
Ela quis viver
E o mundo correr
Prometeu voltar
Se o vento mudar
E o vento mudou
E ela não voltou
Sei que ela mentiu
P'ra sempre fugiu
Vento por favor
Traz-me o seu amor
Vê que eu vou morrer
Sem não mais a ter
Nuvens tenham dó
Que eu estou tão só
Batam-lhe à janela
Chorem sobre ela
E as nuvens choraram
E quando voltaram
Soube que mentira
P'ra sempre fugira
Nuvens por favor
Cubram minha dor
Já que eu vou morrer
Sem não mais a ter
Ouçam Ouçam ouçam Ouçam ouçam
Letra de João Magalhães Pereira
Música de Nuno Nazareth Fernandes
Intérprete Eduardo Nascimento
sábado, 12 de fevereiro de 2011
sábado, 5 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
Vales de verdes pinos tão sozinhos
Barros de Beja
Ledos campos de Outrora! em plena festa.
Por onde a minha infância,
Ditosa, decorreu,
Entre fumos de cálida fragrância,
Deslumbramentos, extases do Céu.
Que resta
Desse inefável, em que tudo abria
Em flor e lumes siderais,
Desse inefável de algum dia ?
Vago, indistinto
Sorrir de pôr-do-sol -um sonho extinto...
Uma saudade a desfolhar-se em ais.
Pudesse eu regressar
A mim, volver
Ao intimo do ser,
Ao Anjo em que vivi transfigurado,
De longe em longe, como absorto, a errar...
Plainos de oiro de Beja do Passado,
Da minha clara infância e de outro Mundo,
Libertai-me do sono em que me afundo...
Que eu seja Luz, constelação sagrada,
O' voo para Deus duma «queimada»
Abril de 1960
MÁRIO BEIRÃO
Vales de verdes pinos tão sòzinhos
" Vales de verdes pinos tão sozinhos,
Alumiados da graça do Senhor;
E, em arroubos ao Céu, - jardins em flor
De enlaçadas roseiras sem espinhos...
Ermidas onde ajoelham pobrezinhos,
Sorrindo, como Cristo, à própria dor;
Planícies de enigmático torpor
Onde se escutam vagos murmurinhos...
Por ti, meu pensamento é mais profundo
E o meu canto mais alto se alevanta,
Ó Lusitânia, coração do Mundo!
O mar ergue o teu nome em seus delírios!
E, em tardes de milagre, - ó mais que santa,
Sobre o teu corpo o céu desfolha lírios!
MÁRIO BEIRÃO
Ledos campos de Outrora! em plena festa.
Por onde a minha infância,
Ditosa, decorreu,
Entre fumos de cálida fragrância,
Deslumbramentos, extases do Céu.
Que resta
Desse inefável, em que tudo abria
Em flor e lumes siderais,
Desse inefável de algum dia ?
Vago, indistinto
Sorrir de pôr-do-sol -um sonho extinto...
Uma saudade a desfolhar-se em ais.
Pudesse eu regressar
A mim, volver
Ao intimo do ser,
Ao Anjo em que vivi transfigurado,
De longe em longe, como absorto, a errar...
Plainos de oiro de Beja do Passado,
Da minha clara infância e de outro Mundo,
Libertai-me do sono em que me afundo...
Que eu seja Luz, constelação sagrada,
O' voo para Deus duma «queimada»
Abril de 1960
MÁRIO BEIRÃO
Vales de verdes pinos tão sòzinhos
" Vales de verdes pinos tão sozinhos,
Alumiados da graça do Senhor;
E, em arroubos ao Céu, - jardins em flor
De enlaçadas roseiras sem espinhos...
Ermidas onde ajoelham pobrezinhos,
Sorrindo, como Cristo, à própria dor;
Planícies de enigmático torpor
Onde se escutam vagos murmurinhos...
Por ti, meu pensamento é mais profundo
E o meu canto mais alto se alevanta,
Ó Lusitânia, coração do Mundo!
O mar ergue o teu nome em seus delírios!
E, em tardes de milagre, - ó mais que santa,
Sobre o teu corpo o céu desfolha lírios!
MÁRIO BEIRÃO
palavras de leonardo
“O lirismo é a dignificação e a exaltação do indivíduo. O lirismo procura o verdadeiro, o original sentido de cada alma. O poeta lírico, que, para interpretar as almas, começa pelo que elas apresentam de mais imediatamente concreto, achará no indivíduo o amor que o une ao ente amado. E com esse amor ele o pode enredar e prender à família, à humanidade, ao Universo inteiro.
Originariamente individualista, o lirismo pode levar o homem, de entusiasmo em entusiasmo, a sentir-se bem mais concreto e real na universal sociedade dos seres do que encerrado nos seus sentimentos, que, isolados em si, perderiam a cor, o significado e a vida. Na obra de Camões temos a alma lusitana. Reencontraremos a nossa alma enquanto os nossos olhos souberem chorar de sofrimento e os nossos braços se souberem erguer em resgate. Nessas virtudes antigas devemos ir buscar a força para a obra de hoje. Ela não será um futuro de novas descobertas ou conquistas guerreiras. Mas aquela audácia mística que nos fez ir procurar os mundos desconhecidos empreguemo-la na descoberta dos ignorados mundos da nova justiça, mais humana, mais inquieta e mais amorosa. Aquela coragem e aquela lealdade bem precisas nos são para a obra de perfectibilidade moral e social que a consciência nos exige.”
Leonardo Coimbra in Dispersos, I. Poesia Portuguesa, Editorial Verbo, 1984, pág.206
Publicada por Serra d'Ossa em 2.2.11
Originariamente individualista, o lirismo pode levar o homem, de entusiasmo em entusiasmo, a sentir-se bem mais concreto e real na universal sociedade dos seres do que encerrado nos seus sentimentos, que, isolados em si, perderiam a cor, o significado e a vida. Na obra de Camões temos a alma lusitana. Reencontraremos a nossa alma enquanto os nossos olhos souberem chorar de sofrimento e os nossos braços se souberem erguer em resgate. Nessas virtudes antigas devemos ir buscar a força para a obra de hoje. Ela não será um futuro de novas descobertas ou conquistas guerreiras. Mas aquela audácia mística que nos fez ir procurar os mundos desconhecidos empreguemo-la na descoberta dos ignorados mundos da nova justiça, mais humana, mais inquieta e mais amorosa. Aquela coragem e aquela lealdade bem precisas nos são para a obra de perfectibilidade moral e social que a consciência nos exige.”
Leonardo Coimbra in Dispersos, I. Poesia Portuguesa, Editorial Verbo, 1984, pág.206
Publicada por Serra d'Ossa em 2.2.11
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Portugal como reino independente é filho espiritual de São Bernardo
“Portugal como reino independente é filho espiritual de S. Bernardo, confundindo-se a primeira parte da nossa História com a da Ordem do Templo.
A segunda parte, que começa com D. Dinis, é a História do mito do Quinto Império, enquanto a História dos Descobrimentos é, em boa medida, a história da Demanda do Preste João; nos tempos recentes, a História da nossa Restauração é a História do reavivar do mito sebástico e do mito do Quinto Império, como o prova a obra do Padre António Vieira na “História do Futuro”.
Lima de Freitas; “Porto do Graal”; Ésquilo

Portugal confundir-se-ia assim com os propósitos que levaram Bernardo de Claraval a criar a Ordem do Templo. E assim, os destinos, caminhos e objetivos de Portugal e da Ordem do Templo confundir-se-iam. Portugal seria uma criação para a Ordem do Templo, um “reino templário”, um conceito bem compatível com a defesa insistente feita em Portugal contra o mandato papal que exigia a extinção da Ordem. O projeto templário confundia-se com o projeto português e o grande motor da portugalidade que foi o processo dos Descobrimentos e da Expansão portuguesa. O mito do “Quinto Império” que hoje ainda sobrevive com tanta energia na cultura lusófona é uma persistência desse perdido projeto templário, que se tentou concretizar em Portugal e na sua Expansão e que ainda verá a luz do dia, é essa a nossa convicção, assim como um dos temas do MIL: Movimento Internacional Lusófono: Um novo tipo de organização social e política universalista, fraterna e verdadeira humana.
Publicado em http://movv.org/category/lima-de-freitas
A segunda parte, que começa com D. Dinis, é a História do mito do Quinto Império, enquanto a História dos Descobrimentos é, em boa medida, a história da Demanda do Preste João; nos tempos recentes, a História da nossa Restauração é a História do reavivar do mito sebástico e do mito do Quinto Império, como o prova a obra do Padre António Vieira na “História do Futuro”.
Lima de Freitas; “Porto do Graal”; Ésquilo

Portugal confundir-se-ia assim com os propósitos que levaram Bernardo de Claraval a criar a Ordem do Templo. E assim, os destinos, caminhos e objetivos de Portugal e da Ordem do Templo confundir-se-iam. Portugal seria uma criação para a Ordem do Templo, um “reino templário”, um conceito bem compatível com a defesa insistente feita em Portugal contra o mandato papal que exigia a extinção da Ordem. O projeto templário confundia-se com o projeto português e o grande motor da portugalidade que foi o processo dos Descobrimentos e da Expansão portuguesa. O mito do “Quinto Império” que hoje ainda sobrevive com tanta energia na cultura lusófona é uma persistência desse perdido projeto templário, que se tentou concretizar em Portugal e na sua Expansão e que ainda verá a luz do dia, é essa a nossa convicção, assim como um dos temas do MIL: Movimento Internacional Lusófono: Um novo tipo de organização social e política universalista, fraterna e verdadeira humana.
Publicado em http://movv.org/category/lima-de-freitas
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
sabedoria persa
Água profunda dificilmente se perturba com a pedra que lhe arremessam; e quando a sabedoria
se irrita é porque não é profunda.
Saadi de Shiraz
Nada está mais perto de ti do que tu mesmo; e sendo assim, como sem conhecimento
próprio queres conhecer os outros?
Abu Hamid al-Ghasali
Perquirir a verdade sobre o Divino é procurar o fulgor do Sol
com o brilho das estrelas.
Husain ibn Mansur al-Haladx
Um homem livre é aquele que suporta as ofensas, e um herói é aqueloutro
que não ofende nem aos que merecem ofensas.
Djelaledin Rumi
sabedoria persa
A verdadeira vida é como um claro espelho; o corpo é a poeira depositada sobre esse espelho. Não conhecemos nossa beleza original, porque estamos ocultos sob o pó.
Djelaledin Rumi
Amarra dois pássaros juntamente; eles não poderão voar, embora juntos em vez de duas tenham quatro asas.
Djelaledin Rumi
O destino de um homem é o de uma criatura a quem no meio do caminho da vida deram um livro selado, que foi escrito antes do
seu nascimento. Ele traz consigo esse livro até morrer, e, enquanto
está submetido ao tempo, não sabe nada do seu conteúdo.
Abu´l-Madxd Madxud Sana´i
Djelaledin Rumi
Amarra dois pássaros juntamente; eles não poderão voar, embora juntos em vez de duas tenham quatro asas.
Djelaledin Rumi
O destino de um homem é o de uma criatura a quem no meio do caminho da vida deram um livro selado, que foi escrito antes do
seu nascimento. Ele traz consigo esse livro até morrer, e, enquanto
está submetido ao tempo, não sabe nada do seu conteúdo.
Abu´l-Madxd Madxud Sana´i
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
QALB

Estive sempre sentado nesta pedra
escutando, por assim dizer, o silêncio.
Ou no lago cair um fiozinho de água.
O lago é o tanque daquela idade
em que não tinha o coração
magoado. (Porque o amor, perdoa dizê-lo,
dói tanto! Todo o amor. Até o nosso,
tão feito de privação.) Estou onde
sempre estive: à beira de ser água.
Envelhecendo no rumor da bica
por onde corre apenas o silêncio.
Eugénio de Andrade
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