sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
Gracia Nasi - biografia
Nascida no seio de uma rica família de marranos em Portugal em 1510, Gracia era conhecida por seu nome cristão, Beatriz de Luna. O nome de sua irmã era Reina, batizada Brianda. Seu irmão Agostinho Miguel Nasi , era médico da corte e catedrático de medicina da Universidade de Lisboa, morreu em 1525 e Gracia assume a responsabilidade de criar os filhos de seu irmão, João (José) e Agostinho (Samuel).
Possuidora de um vasto e complexo império comercial e financeiro na Europa, administrou-o, preservando- -o e ampliando a sua fortuna, apesar dos esforços de reis e outros dirigentes para afastá-la de seu património.
Señora Gracia salvou centenas de marranos da morte e das perseguições. Apesar de seus esforços para estabilizar a economia e a política da comunidade judaica, fracassou. Mesmo assim, foi uma mulher à frente de seu tempo. Tentou agir contra o anti-semitismo, impondo um boicote económico. Tentou construir uma pátria judaica na Palestina, tendo Tiberíades como base.
A señora, a dama, Ha-geveret – em hebraico – marcou de uma maneira indelével a cultura judaica. Sua lembrança foi perpetuada através das inúmeras sinagogas que têm o seu nome, entre elas, uma em Esmirna, El Kal de la Señora, sinagoga que foi muito freqüentada até 1970, sendo gradativamente abandonada até se tornar um galinheiro.
Assim como os outros marranos os Nasi viviam como cristãos devotos em público e praticavam secretamente o judaísmo.
Com 18 anos de idade, Gracia contraiu nupcias com Francisco Mendes, marrano e próspero banqueiro.
Ele e seu irmão Diego, que administrava os negócios em Antuérpia, ajudavam marranos perseguidos pela inquisição a escapar utilizando-se de suas empresas e império financeiro.
Quando a inquisição chegou a Portugal em 1536, Francisco se preparou para unir-se a seu irmão em Antuérpia, porém ficou doente e morreu antes de poder realizar seu plano.
Gracia Nasi Mendes, tinha então 26 anos quando juntamente com sua filha pequena, Reina a jovem, enterrou o seu esposo como cristão e abandonou Lisboa.
Embarcaram além de Gracia e sua filha, sua irmã Reina seus sobrinhos José e Samuel em um dos navios mercantis dos Mendes rumo a Londres, levando a bordo todos os seus pertences.
De Londres a família viajou para os Países Baixos atravessando as rotas ideais para os marranos. Chegaram a salvo em Antuérpia, onde Gracia se uniu com seu cunhado Diego como sócia plena nos negócios, enquanto que sua irmã Reina tornou-se sua esposa. Reina e Diego tiveram uma filha a quem chamaram Gracia a Jovem, pois Gracia e Francisco haviam dado a sua filha o nome Reina a Jovem, em honra a tia.
Durante seis anos, Gracia participou da sociedade aristocrática e do mundo de negócios de Antuérpia e com seu cunhado continuaram ajudando marranos a fugir de Portugal.
Em 1544, quando Reina, a formosa e abastada filha de Gracia tinha 14 anos, foi pedida em casamento pelo ancião Don Francisco de Aragão, nobre católico e membro da realeza. Gracia estava decidida que sua filha se casaria com um judeu.
Em Veneza, Gracia foi denunciada como judaizante por sua irmã Reina, que esperava obter o controle da riqueza da família. Gracia foi sumariamente detida e enviada a prisão, e suas propriedades foram embargadas. Reina também foi denunciada por um agente francês da empresa dos Mendes a quem ela havia subornado, e as jovens Reina e Gracia, foram enviadas a um convento. Uma vez mais, José empregou suas notáveis habilidades diplomáticas para conseguir que o sultão turco exigisse a libertação de Gracia.
Reconciliada com sua irmã e com suas filhas novamente sob sua custódia, a família se mudou para Ferrara. Nesta cidade em 1550, Gracia se despojou de sua identidade cristã e confessou abertamente seu judaísmo. A partir desse momento foi conhecida como Dona Gracia Nasi, em vez de Beatriz de Luna, e intensificou sua ajuda aos emigrantes marranos.
Financiou a publicação da primeira tradução da Bíblia hebraica para o espanhol, assim como outras obras em hebraico, espanhol e português, e participou intensamente dos assuntos da comunidade judaica.
No entanto, o clima de intolerância cristã na Europa se intensificava; além disso, os judeus poderosos eram muito melhor recebidos pelo sultão turco Suleiman, a quem Gracia Nasi lhe era muito grata. Em 1553 transladou-se com sua família e fortuna para Constantinopla, capital do Império Otomano.. As comunidades judaica e marrana da cidade lhe fizeram uma majestosa recepção, pois para esses havia se tornado uma lenda.
Estabeleceu-se em uma imponente mansão nos subúrbios, onde celebrava luxuosas festas, desenvolvia uma ampla actividade beneficente e oferecia comidas grátis a 80 pobres diariamente. O comércio de lã, grãos, especiarias e têxteis no Império turco prosperou tal como havia acontecido na Europa cristã e assim conseguiu continuar suas boas obras como patrona de sábios, academias e sinagogas em Cosntantinopla, Salónica e outros lugares.
Uma das primeiras promessas que cumpriu na Turquia foi a que tinha feito a seu falecido marido: enterrá-lo na Terra de israel. Como a Palestina se encontrava sob o domínio otomano, conseguiu que os restos mortais de seu esposo fossem transportados secretamente de Lisboa e enterrados de novo ao pé do Monte das Oliveiras.
Em 1554, a inquisição alcançou o porto italiano de Ancona, um centro de comércio internacional. Dezenas de marranos, muitos deles mercadores e alguns agentes ou amigos pessoais da família Nasi, foram detidos e torturados. Com a intervenção do sultão, Dona Gracia conseguiu que alguns deles fossem libertados por serem súbditos turcos, mas a maioria permaneceu encarcerada até confessarem seu erro. Vinte e quatro prisioneiros que se recusaram a renegar sua fé morreram na fogueira.
Como represália, Dona Gracia intercedeu por um boicote geral do porto de Ancona por parte da comunidade financeira judaica do Império Otomano, sob pena de excomunhão.
Mesmo tendo muitos rabinos e líderes de comunidade apoiado sua proposta, esta foi rechaçada devido à oposição de Josué Soncino, rabino da Grande Sinagoga de Constantinopla.
Dona Gracia Nasi dirigiu então suas energias a Terra Santa. Havendo passado sua vida transladando-se de um refúgio inseguro a outro, resolveu iniciar a reconstrução do verdadeiro lugar do povo judeu.
Em 1560, com a ajuda de seu sobrinho José, propôs às autoridades de Constantinopla que lhe fosse vendida a concessão de Tiberíades e sete ald~eias adjacentes em troca da receita de impostos além de uma quota anual de mil ducados.
Don José Nasi foi nomeado governador de Tiberíades; seu auxiliar José ibn Adret foi enviado a supervisar a reconstrução da cidade e seus muros. Dona Gracia estabeleceu uma academia que atraiu eruditos e construiu um palacio para si mesma cerca das fontes térmicas de Tiberíades.
José importou ovelhas e amoreiras a fim de produzir lã e criar XXXXX(gusanos) de seda e assim estabelecer a base para uma rentável indústria têxtil na cidade.
Intensamente envolvida em seus numerosos interesses e ocupações, Dona Gracia postergou sua mudança de Cosntantinopla a Tiberíades.
Quando faleceu em 1569 com 59 anos de idade, sua morte causou uma onda de pesar nas comunidades judaicas da Europa e do Império Otomano.
Sua memória está perpetuada em publicações eruditas e foi louvada nas sinagogas, sendo comparada com as grandes heroínas bíblicas. Dona Gracia Nasi "a coroa da glória das mulheres virtuosas" e "o coração de seu povo", é lembrada como a mulher judia mais destacada de sua geração.
Extraído: “Entre Mujeres –Ajdut”
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
Presunção e água benta… por Pedro Martins
Pedro Martins
Há uns meses, disse a alguém – creio que ao António Carlos Carvalho – que não se me dava em fazer uma aposta: o anunciado Dicionário de Luís de Camões seria olímpico na desconsideração de António Telmo. À imagem do que sucedera com o Dicionário de Fernando Pessoa e do Modernismo Português.
Fiz mal em não apostar. Saído a lume no final do ano que passou, o Dicionário não dedica ao filósofo uma só linha das muitas entradas que o compõem. Vítor Aguiar e Silva, que coordenou o pesado volume, comete assim, em última análise, a proeza de ignorar o mais lúcido, audaz e original hermeneuta do príncipe dos poetas portugueses, a quem Telmo, desde a História Secreta de Portugal, consagrou uma parte importante do seu labor especulativo.
Como não é de crer que um tão eminente camonólogo, académico informado e atento, possa desconhecer títulos fundamentais do pensamento filosófico português (e – note-se –da bibliografia passiva camonina) como o Desembarque dos Maniqueus na Ilha de Camões, Filosofia e Kabbalah, Congeminações de um Neopitagórico ou A Aventura Maçónica – Viagens À Volta de um Tapete, Seguido de: Autobiografia e Sobrenatural em Luís de Camões: Onde se revelam alguns segredos guardados n'Os Lusíadas, obra já póstuma, sou forçado a concluir que Aguiar e Silva fez vista grossa a algo que aborrece, não compreende ou simplesmente rejeita. Não por acaso, Sampaio Bruno e Agostinho da Silva, que com Telmo quase definem uma linhagem espiritual e uma tradição interpretativa, são também postos de lado, e Fiama Hasse Pais Brandão, que nos desvelou o cabalismo do Camões cripto-judaico, mal é referida, nos cerca de duzentos artigos do Dicionário.
Certo que Aguiar e Silva não era obrigado a apreciar ou a entender tudo quanto de relevante respeitasse ao poeta. Mas não lhe podia ignorar a existência, devendo dá-lo de empreitada a quem, de alguma sorte, pudesse suprir a sua própria incapacidade. Ou será que as sucessivas, espantosas demonstrações operadas no Desembarque, ou as perplexidades e hipóteses inscritas e anotadas na Autobiografia e Sobrenatural, não são, de todo, importantes, e, por isso, credoras de um módico de atenção dos camonologistas?
Não creio, claro está, que Aguiar e Silva houvesse, para o efeito, de recorrer ao auxílio prestimoso de um seu homólogo tão avisado como António Cândido Franco, universitário arguto, sumamente sensível à subtil insinuação da anagogia, e que, num estudo publicado no terceiro volume dos Cadernos de Filosofia Extravagante, justamente põe a nu a debilidade interpretativa de que enferma o camonismo do professor de Coimbra.
Mas semelhante imperativo deveria sempre ser cumprido, posto que o fosse com o propósito antipático, e que se me antolha baldado, de refutar a poderosa leitura télmica de Luís de Camões. Só assim não seria enganosa a publicidade da Editorial Caminho, que, a propósito, nos promete “um vasto e rico Thesaurus da camonística contemporânea”, cujos artigos, “da autoria dos mais reputados camonistas nacionais e estrangeiros, proporcionam ao leitor uma informação abundante, rigorosa e atualizada sobre a biografia, a obra lírica, épica, dramatúrgica e epistolar de Camões, sobre a sua contextualização histórico-literária, sobre os seus problemas filológicos, sobre a influência e a crítica camonianas nos diversos períodos da literatura portuguesa e, numa perspetiva comparatista, sobre a receção de Camões nas principais literaturas mundiais, desde a espanhola à brasileira e à norte-americana”.
Presunção e água-benta…
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
"Os Mistérios de Jerusalém" (Reedição) de Marek Halter
Autor: Marek Halter
P.V.P.: 15,00 € (aqui)
Data 1ª Edição: 2011
Nº de Edição: 4ª
ISBN: 978-972-53-0053
Nº de Páginas: 400
Dimensões: - x - mm
Colecção: -
Editora: Editorial Bizâncio
Sobre a obra:
Romance policial, de aventuras e de cultura. Em Nova Iorque, Paris, Moscovo, e mesmo nas margens do Mar Morto, um manuscrito com mais de dois mil anos faz correr muito sangue. Desvenda um dos 64 enigmas que ainda hoje protegem o tesouro do Templo de Jerusalém. Para além da cobiça do ouro, eruditos, mafiosos e terroristas tentam obter esse manuscrito milenar porque ele poderá também ajudar a esclarecer o mistério dos mistérios: porquê Jerusalém? Porque foi escolhida por Deus — para aí construir a sua morada — uma aldeia situada nos flancos áridos dos montes da Judeia? A resposta encontra-se nas próprias fontes da história desse lugar, onde desde o princípio dos tempos se têm cruzado todas as esperanças e todas as violências. Revelar os mistérios de Jerusalém fará o mundo tremer.
Sobre autor:
Marek Halter nasceu na Polónia em 1936. Durante a Segunda Guerra Mundial, ele e os seus pais tornar-se-íam nuns exilados. O pai era um impressor, descendente de uma longa linhagem de impressores judeus. A mãe era poetisa. Após algum tempo passado na Rússia e no Uzbequistão, emigraram para França em 1950. Aqui, Halter estudou com Marcel Marceau e embarcou numa carreira de pintor, que o levou a fazer um largo número de exposições internacionais. Em 1967, fundou o Comité Internacional para a Negociação de um Acordo de Paz no Médio Oriente e desempenhou um papel crucial na organização oficial dos primeiros encontros entre Palestinianos e Israelitas.
Nos anos 70, Marek Halter virou-se para a escrita.
O seu primeiro livro foi que foi premiado com o prémio Aujourd’hui em 1976.
É também autor de diversos romances históricos, que rapidamente se transformaram em verdadeiros besteselleres, como é o caso de O Messias, Os Mistérios de Jerusalém entre outros.
...................................................................................................
A Rainha de Sabá
Hoje Acordei Furioso!
Lila - A Bíblia no Feminino Vol III
Maria
O Messias
O Vento dos Khazares
Os Mistérios de Jerusalém - Reedição
Sara - A Bíblia no Feminino vol I
Séfora - A Bíblia no Feminino Vol II
Trilogia As Mulheres da Bíblia
Autor: Marek Halter
P.V.P.: 15,00 € (aqui)
Data 1ª Edição: 2011
Nº de Edição: 4ª
ISBN: 978-972-53-0053
Nº de Páginas: 400
Dimensões: - x - mm
Colecção: -
Editora: Editorial Bizâncio
Sobre a obra:
Romance policial, de aventuras e de cultura. Em Nova Iorque, Paris, Moscovo, e mesmo nas margens do Mar Morto, um manuscrito com mais de dois mil anos faz correr muito sangue. Desvenda um dos 64 enigmas que ainda hoje protegem o tesouro do Templo de Jerusalém. Para além da cobiça do ouro, eruditos, mafiosos e terroristas tentam obter esse manuscrito milenar porque ele poderá também ajudar a esclarecer o mistério dos mistérios: porquê Jerusalém? Porque foi escolhida por Deus — para aí construir a sua morada — uma aldeia situada nos flancos áridos dos montes da Judeia? A resposta encontra-se nas próprias fontes da história desse lugar, onde desde o princípio dos tempos se têm cruzado todas as esperanças e todas as violências. Revelar os mistérios de Jerusalém fará o mundo tremer.
Sobre autor:
Marek Halter nasceu na Polónia em 1936. Durante a Segunda Guerra Mundial, ele e os seus pais tornar-se-íam nuns exilados. O pai era um impressor, descendente de uma longa linhagem de impressores judeus. A mãe era poetisa. Após algum tempo passado na Rússia e no Uzbequistão, emigraram para França em 1950. Aqui, Halter estudou com Marcel Marceau e embarcou numa carreira de pintor, que o levou a fazer um largo número de exposições internacionais. Em 1967, fundou o Comité Internacional para a Negociação de um Acordo de Paz no Médio Oriente e desempenhou um papel crucial na organização oficial dos primeiros encontros entre Palestinianos e Israelitas.
Nos anos 70, Marek Halter virou-se para a escrita.
O seu primeiro livro foi que foi premiado com o prémio Aujourd’hui em 1976.
É também autor de diversos romances históricos, que rapidamente se transformaram em verdadeiros besteselleres, como é o caso de O Messias, Os Mistérios de Jerusalém entre outros.
...................................................................................................
A Rainha de Sabá
Hoje Acordei Furioso!
Lila - A Bíblia no Feminino Vol III
Maria
O Messias
O Vento dos Khazares
Os Mistérios de Jerusalém - Reedição
Sara - A Bíblia no Feminino vol I
Séfora - A Bíblia no Feminino Vol II
Trilogia As Mulheres da Bíblia
O Cabalista de Praga - Marek Halter
Está de parabéns a Bizâncio pela divulgação deste grande escritor francês, ainda não totalmente reconhecido pelos leitores portugueses.
Praga, “a Jerusalém dos novos tempos”, finais do século XVI. Na capital da cultura hebraica daquele tempo, David Gans é um discípulo entusiasmado e fiel do grão-rabi Loew, o MaHaRaL. Com ele aprenderá os segredos da Cabala, afinal de contas, a grande porta do saber segundo a tradição hebraica. A Cabala é o reino da Palavra; é o mistério que se esconde por detrás dos signos; é a arte de descobrir o significado da Palavra.
A narração é feita pelo próprio David Gans, em pleno século XX. A sua “fala” enquanto morto dá à obra um tom que reforça o enquadramento místico da narrativa.
Mas bem mais palpável que esse encanto místico que rodeia o pensamento hebraico é a terrível realidade: nem Praga escapa às perseguições aos judeus, após um período de paz devido à protecção pelo Imperador do Sacro Império. Os judeus eram considerados culpados da peste que matava aos milhares. Ironicamente eram os judeus que mais próximos estavam de compreender a doença e tratá-la, ou pelo menos preveni-la. Mas essa capacidade de escapar à maleita, em vez de ser encarada como uma fonte de informação era vista como fruto de artes de magia e, por isso, mais um motivo para o ódio.
Mas nem tudo é negro neste livro.
David Gans leva-nos ao encontro das maravilhas do Renascimento, em que os progressos científicos surgem como oásis no meio da ignorância e da superstição. É nesses oásis que Gans nos apresenta Tycho Brahe, o brilhante astrónomo, o grande matemático Kepler e o revolucionário mas silenciado Galileu.
Rodolfo, o Imperador do Sacro Império é uma espécie de mecenas que protege o oásis. No entanto, a sua ambição de poder cega-o e só protege os judeus enquanto tem a ganhar com isso. Depressa se transforma em mais um impávido espectador da brutalidade com que os judeus eram tratados pelos cristãos. E neste aspecto, ao contrário do que por vezes se pensa, os protestantes luteranos não eram menos cruéis e supersticiosos do que os católicos. Também eles encaravam os judeus como origem de todos os males.
Há algum tempo escrevi neste blogue, a propósito de O Último Cabalista de Lisboa, de Richard Zimler, que nós, portugueses temos razões para nos envergonharmos do nosso passado pelos crimes que cometemos contra o povo judeu. Mas parece-me que não fomos os únicos. Quase toda a Europa, esta Europa que se arvora de ser a pátria da civilização, viveu encandeada por este ódio, por esta onda criminosa que vitimou milhões de inocentes. O anti-semitismo é a vergonha desta “civilização”.
Na parte final deste magnífico livro deparamos com uma espécie de fábula cheia de significado: os judeus de Praga conseguem finalmente encontrar um meio de responder à letra” aos cristãos que os massacravam. No entanto, foi este “Golem” que acabou por provocar a discórdia entre eles, trazendo mais uma semente de violência. Triste lição para a alma humana…
No final, um verdadeiro e belo hino ao poder da Palavra! No fundo é esse o espírito da Cabala – a força da palavra, capaz de fazer nascer um novo Homem! Mesmo na maior das desgraças, há sempre uma semente de fé e esperança!
Avaliação Pessoal: 9/10
(Comentário publicado no Blogue Destante, no âmbito da parceria com a Editorial Bizâncio).
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
Constellation
Projecto Constellation Cancelado pela Administração Obama!
É o fim dos sonhos de regressar à Lua até 2020, que já eram possibilidades remotas, para ser totalmente honesto. A administração do Presidente Obama pretende agora investir em sistemas de lançamento privados para alcançar a Estação Espacial Internacional, e dirigir esforços para a exploração do resto do Sistema Solar.
Na minha muito modesta opinião, isto é o fim da NASA. O último lançamento do Space Shuttle está agendado para Setembro deste ano, e não há, neste momento, nenhuma alternativa viável de colocar astronautas norte-americanos no Espaço, na Estação Espacial Internacional ou onde quer que seja. O sector privado é ainda um sonho, e só Deus sabe quanto tempo demorará a empresas privadas conseguir colocar, fiávelmente e em segurança, astronautas em órbita!
Fonte: Email da CBS Space News
É o fim dos sonhos de regressar à Lua até 2020, que já eram possibilidades remotas, para ser totalmente honesto. A administração do Presidente Obama pretende agora investir em sistemas de lançamento privados para alcançar a Estação Espacial Internacional, e dirigir esforços para a exploração do resto do Sistema Solar.
Na minha muito modesta opinião, isto é o fim da NASA. O último lançamento do Space Shuttle está agendado para Setembro deste ano, e não há, neste momento, nenhuma alternativa viável de colocar astronautas norte-americanos no Espaço, na Estação Espacial Internacional ou onde quer que seja. O sector privado é ainda um sonho, e só Deus sabe quanto tempo demorará a empresas privadas conseguir colocar, fiávelmente e em segurança, astronautas em órbita!
Fonte: Email da CBS Space News
António Telmo* por Pedro Sinde
António Telmo (1927-2010). Em Estremoz, onde escolheu viver desde 1976, todos o conheciam por Professor Telmo. Os alunos que passaram por ele nunca se esqueceram das suas aulas. Assisti a muitos destes reencontros, enquanto passeávamos no largo de S. João (como insistia em chamar, à antiga, ao largo do Rossio), quando algum desses alunos se cruzava casualmente com ele, saudando-o carinhosamente e relembrando algum dos episódios invulgares que enchem a sua vida; como aquele, por exemplo, de ter desafiado para um “torneio de fisga” um aluno indisciplinado: “quem ganhar, manda na sala”, disse ao aluno. E o Professor ao mesmo tempo que ganhou o “torneio” conquistou o respeito do aluno. Tinha uma pontaria magnífica; por causa disso, em novo chamavam-lhe Guilherme Telmo.
Foi um jogador de bilhar e um caçador exímio; nos últimos anos, porém, sobre a caça, exclamava muitas vezes “como é que eu fui capaz?!…”. Agora, deleitava-se a contemplar nesse mesmo largo os pombos no seu voo circular, “para os fazer viver e já não para os matar”, como me disse numa carta.
Quem o visse no Águias d’Ouro estaria talvez longe de imaginar que escrevia um dos muitos livros que o tornariam famoso: a sua História Secreta de Portugal ou o Desembarque dos Maniqueus na Ilha de Camões, a Filosofia e Kabbalah, mais recentemente, a Viagem a Granada ou ainda as Congeminações de um Neopitagórico. O Águias não deixará seguramente de assinalar este facto.
Foi um dos melhores amigos de Agostinho da Silva, que o levou para Brasília com o fim de leccionar na Universidade nascente. António Telmo recordava saudoso esse tempo em que Agostinho da Silva, nos passeios que davam juntos, se punha a sonhar, contemplando um lugar no mato: “aqui ficará um monge cristão, ali um sufi e ali um monge zen”.
António Telmo é um dos expoentes da escola da filosofia portuguesa. Discípulo de Álvaro Ribeiro e José Marinho, imprimiu a este movimento uma originalidade magistral. A direcção do seu ensino ia no sentido de acentuar a ideia de que o pensamento deve fecundar e transformar a vida; a isso chamou, logo no seu primeiro livro Arte Poética, “filosofia operativa”. As tertúlias que orientou tinham sempre esta componente “operativa”, o pensamento tinha como corolário o aperfeiçoamento do comportamento ético, artístico, iniciático.
Outro ponto a destacar do seu ensino é o seu amor a Portugal. Reconhecendo a situação calamitosa que vive Portugal presentemente, nunca deixou, no entanto, de o amar e defender em todos os seus livros: estudou magnanimemente a sua arquitectura, a sua história, a literatura, a filosofia e até a língua.
Sempre procurou, como se pode ler numa nota biográfica que acompanha alguns dos seus livros, “estar de pé sobre a extensa planície, a toda a volta, com a sua sugestão de liberdade e de infinito.”
Morreu um homem livre.
Só Deus escreve sobre Deus - António Telmo
Os cães caçadores não temem o som poderoso dos tiros, mas entram em pânico com o estoiro dos foguetes e o ribombar do trovão. Assim, o instinto inteligente distingue o alto do baixo ou do rasteiro, o que vem ao rés da terra do que soa alto na nuvem. O galo eleva-se dentro de si mesmo para soltar as cinco notas anunciadoras do Sol. Os pássaros levantam a cabeça para cantar e fazem-no nos ramos cimeiros das árvores ou no alto das torres. Quem está aí que me lê para sentir o que Camões viu ouvindo cantar os pássaros:
“Os pássaros que cantam
Meus espíritos são que a voz levantam”?
“Todos os seres adoram Deus”, assim se diz numa surata do Corão. Mas nós, hoje, nós que dispomos, enquanto homens, da inteligência que concebe no visível e no invisível, como havemos de adorar Deus, perseguidos que somos na rua e nos cafés, em casa, por toda a parte pela rádio e pela televisão, pelo ruído dominador dos metais actuantes fora do seu lugar natural, pelas explosões do petróleo, do óleo que se extrai da pedra multissecular, pelo rock (escreve-se assim, ó portugueses?) tan tan tan minando os interstícios do corpo, como havemos de ser se nos envolvemos do que não é para não sermos e não nos ouvirmos no que de mais fundo e significativo há em nós? Deus adora-se nas Igrejas, mas também aí entrou o jazz e as melífluas músicas próprias de uma espiritualidade inferior. Estamos pois impedidos de vencer a gravidade da alma elevando sentimento e pensamento àquela altura onde vai o instinto dos animais?
Era ainda noite, antes de nascer o Sol, no Cabo Espichel, junto aos pinhais. Eu estava lá, na orla deles, voltado para o Oriente de onde deveriam vir as rolas que assassinamente esperava. Principiava a nascer a alba. Aclareava-se ao fundo o céu. De súbito um sonoro zumbir de insectos feriu-me insistentemente os ouvidos. Eram moscas como abelhas ou vespas dispostas em fila ao longo da orla do pinhal. Alternavam a imobilidade com um voar rápido em círculo que as repunha no mesmo sítio. Estavam todas voltadas para o nascente como eu, mas não para matar. Desapareceram momentos depois do sol ter nascido.
Deus não é o Sol, mas o Sol é um símbolo vivente de Deus. É símbolo quando, através dele, se presta culto a Deus que infinitamente transcende todos os sóis. Isto o sabem os animais, melhor que os ocultistas e outros adoradores de símbolos.
Pediram-me para escrever sobre Deus. Só Deus escreve sobre Deus. E, às vezes, acontece fazê-lo através das nossas pobres palavras. Assim seja!
“Os pássaros que cantam
Meus espíritos são que a voz levantam”?
“Todos os seres adoram Deus”, assim se diz numa surata do Corão. Mas nós, hoje, nós que dispomos, enquanto homens, da inteligência que concebe no visível e no invisível, como havemos de adorar Deus, perseguidos que somos na rua e nos cafés, em casa, por toda a parte pela rádio e pela televisão, pelo ruído dominador dos metais actuantes fora do seu lugar natural, pelas explosões do petróleo, do óleo que se extrai da pedra multissecular, pelo rock (escreve-se assim, ó portugueses?) tan tan tan minando os interstícios do corpo, como havemos de ser se nos envolvemos do que não é para não sermos e não nos ouvirmos no que de mais fundo e significativo há em nós? Deus adora-se nas Igrejas, mas também aí entrou o jazz e as melífluas músicas próprias de uma espiritualidade inferior. Estamos pois impedidos de vencer a gravidade da alma elevando sentimento e pensamento àquela altura onde vai o instinto dos animais?
Era ainda noite, antes de nascer o Sol, no Cabo Espichel, junto aos pinhais. Eu estava lá, na orla deles, voltado para o Oriente de onde deveriam vir as rolas que assassinamente esperava. Principiava a nascer a alba. Aclareava-se ao fundo o céu. De súbito um sonoro zumbir de insectos feriu-me insistentemente os ouvidos. Eram moscas como abelhas ou vespas dispostas em fila ao longo da orla do pinhal. Alternavam a imobilidade com um voar rápido em círculo que as repunha no mesmo sítio. Estavam todas voltadas para o nascente como eu, mas não para matar. Desapareceram momentos depois do sol ter nascido.
Deus não é o Sol, mas o Sol é um símbolo vivente de Deus. É símbolo quando, através dele, se presta culto a Deus que infinitamente transcende todos os sóis. Isto o sabem os animais, melhor que os ocultistas e outros adoradores de símbolos.
Pediram-me para escrever sobre Deus. Só Deus escreve sobre Deus. E, às vezes, acontece fazê-lo através das nossas pobres palavras. Assim seja!
sábado, 31 de dezembro de 2011
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
LUA ADVERSA
Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha
Fases que vão e que vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.
E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases, como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...
Cecília Meireles
Fado, destino, sorte ...
ESTRANHA FORMA DE VIDA
Foi por vontade de Deus
Que eu vivo nesta ansiedade.
Que todos os ais são meus,
Que é toda minha a saudade.
Foi por vontade de Deus.
Que estranha forma de vida
Tem este meu coração:
Vive de vida perdida;
Quem lhe daria o condão?
Que estranha forma de vida.
Coração independente,
Coração que não comando:
Vives perdido entre a gente,
Teimosamente sangrando,
Coração independente.
Eu não te acompanho mais:
Pára, deixa de bater.
Se não sabes onde vais
Porque teimas em correr
Eu não te acompanho mais
Se não sabes onde vais
Pára, deixa de bater.
Eu não te acompanho mais.
Letra de Amália Rodrigues e música de Alfredo Marceneiro
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
domingo, 9 de outubro de 2011
Poemas de Tomas Transtormer (Nobel Literat. 2011)
TEMPESTADE
Subitamente encontra o caminhante, gigantesco
e velho carvalho como alce de extensa armação,
petrificado, diante da fortaleza verde-escura
do mar de Setembro.
Tempestade nórdica. Tempo de amadurecerem
os cachos de sorvas. Ouvem-se, despertas na escuridão,
as constelações batendo os pés nos seus estábulos
bem alto sobre a árvore.
ATRAVÉS DO BOSQUE
Um lugar chamado pântano de Jacob
é a cave fresca de um dia de Verão
luz que coalhando azeda uma bebida
com gosto de velhice e de pobreza.
Os frágeis gigantes estão entrelaçados
tão densamente que nada pode tombar.
A bétula partida apodrece ali mesmo
em posição vertical como um dogma.
Do fundo do bosque vou subindo.
Brilha luz cada vez mais por entre os troncos.
Chove sobre os altos telhados que me abrigam.
Sou um longo escoadouro de impressões.
Na orla do bosque o ar é doce. –
Grande, escuro pinheiro voltado para o longe,
de focinho escondido na terra
bebe a sombra da chuva.
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
terça-feira, 16 de agosto de 2011
o caminho
O caminho bíblico parece ser claro e objetivo:
2 Pastoreai o rebanho de Deus que está entre vós, cuidando dele não por obrigação, mas espontaneamente, segundo a vontade de Deus; nem por interesse em ganho ilícito, mas de boa vontade; 3 nem como dominadores dos que vos foram confiados, mas servindo de exemplo ao rebanho. 4 Quando o Supremo Pastor se manifestar, recebereis a imperecível coroa da glória.
Subscrever:
Mensagens (Atom)










