quinta-feira, 26 de julho de 2012

FONTE E BANHOS DE ST EUFÉMIA | SINTRA
A foto do lado direito superior é de 2010. As outras são de Jan. 2012, após uma pequena limpeza do local por nós. (imagem do cap VII)


 http://sintra-subterranea.blogspot.pt/2012/01/da-fonte-e-dos-banhos-de-santa-eufemia.html

(fotos de 2010-2012)

POMBAL ROMANO (?) | BOLELAS - SINTRA - Já foi destruído. Assim vai o nosso património, muitas vezes desconhecido, ou mal estudado. A incúria, o descaso, a ignorância e a apatia das autoridades competentes (quando não o conluio), contribuem para a delapidação dos valores edificados e também da paisagem portuguesa.

domingo, 15 de julho de 2012


Um poema de Giordano Bruno dos "Furores Heróicos"

« BENCH'Á TANTI MARTIR...»

Bem que a martírios tu me tens sujeito
... devo-te muito e te sou grato, Amor:
com nobre chaga me rasgaste o peito
e o coração me deste a um tal senhor,

de tão excelso e de tão vivo aspeito,
na terra imagem do divino autor,
Pense quem quer que é ímpio o meu destino,
se morro esp'rança e vivo desatino.

Contenta-me alta empresa;
e quando o fim clamado me escapara,
e em tanto arder minh´alma se gastara,

basta que seja nobremente acesa,
e que eu mais alto ascenda
e do número ignóbil me defenda.

Fica aqui a referência ao livro de Frances A. Yates, Giordano Bruno e a Tradição Hermética (trad. brasileira de Yolanda Toledo), ed. Cultrix, São Paulo e que pode ser encontrada aqui:
http://pt.scribd.com/doc/89398950/13/Giordano-Bruno-e-a-cabala#outer_page_6

Eis o portal dedicado a Giordano Bruno   (em italiano):
http://giordanobruno.filosofia.sns.it/index.php?id=716

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Благодать.mpg - maravilhosa simplicidade\

Nota sobre o poeta Sebastião Penedo e 2 poemas

Sebastião Penedo (Alvito,1945 - Lisboa, 2002)

Apareceu morto nas águas o Tejo, há cerca de dez anos. Ninguém sabe se foi suicídio, se foi descuido. Parece o mesmo, bem vistas as coisas. Tinha um problema com o alcoól, com a solidão, com a vida. Nos últimos tempos parecia ter perdido o sentido de tudo. O funeral foi em Alvito, a aldeia manuelina onde nasceu em Novembro de 1945. Disseram-me que vei...o muita gente de Lisboa, amigos das letras, que não esquecem a simplicidade de um homem que não pediu nada e não esperava nada. E que, como se viu, não teve nada. Sobraram pelo menos quatro livros de versos [talvez mais, mas não encontro rasto deles], algumas dezenas de poemas de uma simplicidade por vezes arrebatadora, de um lirismo eólico.

Apenas lhe conheço quatro livrinhos de versos:
Livro de Versos [1969]
Claridade [1973]
Meu Silêncio Amigo [1977]
Sumo Natural [1979]
(Não se sabe se há mais obras publicadas ou a publicar, até ao momento)
Colaboração: NOVA 2 [Outomo, 1976]

MOVIMENTO SIMPLES
Não nos ficam mal estes sentimentos
de simplificar as coisas mais difíceis
descansar um pouco quando nos cansamos
ou mudar a roupa se os ombros pesam

Não nos fica mal uma brincadeira
o inteligente regresso à infância
correr e ladrar com o nosso cão
confiar nos ares dentro da cabeça.

Inventar os outros leves mais felizes
livres e serenos mesmo ao pé da gente
não nos ficam mal estes sentimentos
um pouco de humor - o amor contente.

***

RECOLHIMENTO
A água corria do poço
para os gamelões frescos.

Folha dormideira,
imitava os açudes,
o sossego murmurado da ribeira.

O pastor assobiava,
em cuidado, em sintonia
com os pássaros ajudas.

Embebidos, os animais bebiam.

domingo, 10 de junho de 2012

                    Medjugorje - Milagre do Sol - maio de 2010 (1)


Camões «O dia em que nasci moura e pereça»

10 de Junho - dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas

O dia em que nasci moura e pereça,
Não o queira jamais o tempo dar;
Não torne mais ao mundo, e se tornar,
Eclipse nesse passo o Sol padeça.


A luz lhe falte, o Sol se lhe escureça,
Mostre o mundo sinais de se acabar,
Nasçam-lhe monstros, sangue chova o ar,
A mãe ao próprio filho não conheça.


As pessoas pasmadas, de ignorantes,
As lágrimas no rosto, a cor perdida,
Cuidem que o mundo já se destruiu!


Ó gente temerosa não te espantes,
Que este dia deitou ao mundo a vida
Mais desgraçada que jamais se viu!

                                                                 LUÍS DE CAMÕES
                               
                         

Tindersticks, A marriage made in heaven


                           Tindersticks  http://www.youtube.com/watch?v=XMhQIYlFxlM&feature=colike

terça-feira, 5 de junho de 2012

Cesare Pavese "Verrà la morte"


Virá a morte e terá os teus olhos
Virá a morte e terá os teus olhos
esta morte que nos acompanha
da manhã à noite, insone,
surda, como um velho remorso
ou um vício absurdo. Os teus olhos
serão uma palavra vã,
um grito emudecido, um silêncio.
Assim os vejo todas as manhãs
quando sobre ti te inclinas
ao espelho. Ó cara esperança,
nesse dia saberemos também nós,
que és a vida e és o nada.
Para todos a morte tem um olhar.
Virá a morte e terá os teus olhos.
Será como deixar um vício,
como ver no espelho
re-emergir um rosto morto,
como ouvir lábios cerrados.
Desceremos ao vórtice mudo.
 
   trad. de Jorge de Sena
 
 
 

Xancra (Cuba)

Uma descoberta arqueológica em Xancra, Cuba, Baixo Alentejo

Pirâmides da Bósnia

Pirâmides da Bósnia (site oficial)

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sexta-feira, 11 de maio de 2012

                                                      george scholz «cacti and semaphore»

Miguel de Castro - Poeta do corpo, do sexo e das mulheres



“Escrevo à base de emoção”, confessa Miguel de Castro, o poeta que este sábado (6 de Abril) lança o livro “Os Sonetos”, no Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setúbal (17.30). O autor fixa textos que reflectem “experiências”, de toda uma vida de enamoramento e paixões.

“Sou muito ligado à mulher, ao feminino, às coisas do amor e do sexo” , vai contando Miguel de Castro, enquanto despeja açúcar na chávena de café fumegante. A mulher, corrijo, as “mulheres” têm sido a cafeína de uma escrita torrente, desenfreada, por vezes, avassaladora. “Despertei para a poesia com as mulheres”, diz o autor, que encontrou nas "Folhas Caídas" de Almeida Garret o motor de arranque para as conquistas amorosas e abundante produção literária.
“Cada rapariga que namorava fazia-lhe um poema” , conta, enquanto vai dissolvendo o açúcar na negra beberagem. É o lado carnal que leva Miguel de Castro a passar para o papel as palavras e as frases que vai construindo “de cabeça”. “Os Sonetos”, obra apresentada por Viriato Soromenho Marques e António Cabrita, mantém-se fiel a um longo percurso do “poeta pagão”, ou “poeta do corpo” como gosta de se definir.
Miguel de Castro cedo se deu conta que a inspiração o surpreendia nos momentos mais variados. “Um olhar, um cheiro, um paladar, qualquer coisa pode desencadear um processo criativo”, relata o autor. Sempre teve a “mania de ler”, talvez por isso, o pai nunca se esquecesse de lhe trazer um “mimo” quando se ausentava em viagem pelo país. Trazia-lhe sempre um “livro de contos, uma novela”, que devorava com uma tremenda satisfação.
Aos poucos começou a dar-se conta de que as palavras, as frases se juntavam na “cabeça” com uma facilidade e uma desenvoltura inquietantes. Já adolescente, Miguel Castro deita o “desassossego” no papel e, por intermédio de um amigo, é apresentado a Sebastião da Gama. Já antes, os colegas de trabalho da EDP lhe reconheciam o “jeito” para a escrita e demonstravam espanto pela quantidade de poesias que escrevia em papéis avulso. Foi por isso que ficou também apelidado de “poeta das dúzias”.
Era, na altura, uma “coisa tosca”, um “campo a desbravar”, recorda.
Confrontado com os versos do poeta auto-didacta, Sebastião da Gama de imediato atestou a qualidade da escrita – “Ele gostou muito dos meus versos”, lembra. A partir daí, o poeta da Arrábida que identificara uma “sensibilidade poética” em Miguel de Castro, tornou-se um “guia de interesses” e foi “abrindo portas”. Tornou-se um ritual diário a entrega de “um monte de poemas” para que Sebastião da Gama orientasse a escrita “torrencial”.
Em determinado dia havia de passar pela cabeça do autor arranjar um pseudónimo para dar cara à poesia. Jasmim Rodrigues da Silva não lhe parecia “nome de guerra”, daí que tenha sugerido a Sebastião da Gama um nome invulgar - Jarosil Claus. O autor explica: “Já retirado a Jasmin, Ro de Rodrigues e Sil emprestado a Silva”. Então como surge o apelido Claus? O autor justifica-se dizendo que se tratava do nome de um “sabonete que havia no Porto”. A proposta não passou no crivo de Sebastião da Gama que logo lhe disse “o homem passou-se da cabeça”. O mesmo Sebastião ditou que “Jarosil jamais, serás Miguel de Castro”. E assim ficou!
Agora que do café sobra um contorno vago no bordo da chávena, e cristais de açúcar lá no fundo, Miguel de Castro reconhece que tudo começou como uma “brincadeira” mas havia de se consolidar. Na essência, continua a ser o mesmo “lamechas”, “pinga-amor”, “lacrimejante”, como todos os poetas. Falta acrescentar, “namoradeiro” das palavras e dos afectos que continua a prender em forma de verso ou de sonata – “Tenho-os todos na cabeça”, diz.
Todos, não acredito, disse de imediato, em tom de provocação. Miguel de Castro afasta o boné, alisa o cabelo grisalho e destapa a memória – “Este escrevi tinha 19 anos: Hoje é sábado / Tenho dinheiro, cigarros e alegria / Tenho sonhos orgíacos e delírios! / Não há ninguém mais feliz do que eu / Tenho vinho, música, mulheres, / Céus, astros e luas. / Hoje vou deambular pelas ruas, / Cantar serenatas, / Arriscar a vida por nada / Morrer, sem glória, em qualquer luta! / Ou, então, quando vier a madrugada, / Dar o braço a uma prostituta, / E bêbado, / Aos tombos, / A granel, / Dormir um sono profundo, / No bordel”.
Livros editados
Fruto Verde, 1950
Mansarda, 1953
Terral, 1990
A Sinfonia do Cú, 1990
Os Sonetos, 2002
Ricardo Nunes - 05-04-2002http://www.setubalnarede.pt/content/index.php?action=articlesDetailFo&rec=3119

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Iniciação

Fernando Pessoa      

Não dormes sob os ciprestes,
Pois não há sono no mundo.
O corpo é a sombra das vestes
Que encobrem teu ser profundo.
Vem a noite, que é a morte,
... E a sombra acabou sem ser.
Vais na noite só recorte,
Igual a ti sem querer.
Mas na Estalagem do Assombro
Tiram-te os Anjos a capa.
Segues sem capa no ombro,
Com o pouco que te tapa.
Então Arcanjos da Estrada
Despem-te e deixam-te nu.
Não tens vestes, não tens nada:
Tens só teu corpo, que és tu.
Por fim, na funda caverna,
Os Deuses despem-te mais.
Teu corpo cessa, alma externa,
Mas vês que são teus iguais.
A sombra das tuas vestes
Ficou entre nós na Sorte.
Não estás morto, entre ciprestes.
Neófito, não há morte.