Suspensos entre a terra e o céu, num abraço infinito. Em um ponto
central, onde os nossos corpos, se movem lentamente em uníssono. as
nossas almas fundem-se os nossos corações tornam-se um cercado por pétalas
de rosa permeadas por uma brisa celeste, onde a paixão impaciente é
posta de lado. Substituída por um estado paradisíaco de amor total. O
tempo esvai-se e nós dois tornamo-nos um suspensos docemente
POMBAL ROMANO (?) | BOLELAS - SINTRA - Já foi destruído. Assim vai o nosso património, muitas vezes desconhecido, ou mal estudado. A incúria, o descaso, a ignorância e a apatia das autoridades competentes (quando não o conluio), contribuem para a delapidação dos valores edificados e também da paisagem portuguesa.
domingo, 15 de julho de 2012
Um poema de Giordano Bruno dos "Furores Heróicos"
« BENCH'Á TANTI MARTIR...»
Bem que a martírios tu me tens sujeito ... devo-te muito e te sou grato, Amor: com nobre chaga me rasgaste o peito e o coração me deste a um tal senhor,
de tão excelso e de tão vivo aspeito, na terra imagem do divino autor, Pense quem quer que é ímpio o meu destino, se morro esp'rança e vivo desatino.
Contenta-me alta empresa; e quando o fim clamado me escapara, e em tanto arder minh´alma se gastara,
basta que seja nobremente acesa, e que eu mais alto ascenda e do número ignóbil me defenda.
Apareceu morto nas águas o Tejo, há cerca de dez anos. Ninguém sabe se foi suicídio, se foi descuido. Parece o mesmo, bem vistas as coisas. Tinha um problema com o alcoól, com a solidão, com a vida. Nos últimos tempos parecia ter perdido o sentido de tudo. O funeral foi em Alvito, a aldeia manuelina onde nasceu em Novembro de 1945. Disseram-me que vei...o muita gente de Lisboa, amigos das letras, que não esquecem a simplicidade de um homem que não pediu nada e não esperava nada. E que, como se viu, não teve nada. Sobraram pelo menos quatro livros de versos [talvez mais, mas não encontro rasto deles], algumas dezenas de poemas de uma simplicidade por vezes arrebatadora, de um lirismo eólico.
Apenas lhe conheço quatro livrinhos de versos: Livro de Versos [1969] Claridade [1973] Meu Silêncio Amigo [1977] Sumo Natural [1979] (Não se sabe se há mais obras publicadas ou a publicar, até ao momento) Colaboração: NOVA 2 [Outomo, 1976]
MOVIMENTO SIMPLES Não nos ficam mal estes sentimentos de simplificar as coisas mais difíceis descansar um pouco quando nos cansamos ou mudar a roupa se os ombros pesam
Não nos fica mal uma brincadeira o inteligente regresso à infância correr e ladrar com o nosso cão confiar nos ares dentro da cabeça.
Inventar os outros leves mais felizes livres e serenos mesmo ao pé da gente não nos ficam mal estes sentimentos um pouco de humor - o amor contente.
***
RECOLHIMENTO A água corria do poço para os gamelões frescos.
Folha dormideira, imitava os açudes, o sossego murmurado da ribeira.
O pastor assobiava, em cuidado, em sintonia com os pássaros ajudas.
10 de Junho - dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas
O dia em que nasci moura e pereça, Não o queira jamais o tempo dar; Não torne mais ao mundo, e se tornar, Eclipse nesse passo o Sol padeça.
A luz lhe falte, o Sol se lhe escureça, Mostre o mundo sinais de se acabar, Nasçam-lhe monstros, sangue chova o ar, A mãe ao próprio filho não conheça.
As pessoas pasmadas, de ignorantes, As lágrimas no rosto, a cor perdida, Cuidem que o mundo já se destruiu!
Ó gente temerosa não te espantes, Que este dia deitou ao mundo a vida Mais desgraçada que jamais se viu!
Virá a morte e terá os teus olhos esta morte que nos acompanha da manhã à noite, insone, surda, como um velho remorso ou um vício absurdo. Os teus olhos serão uma palavra vã, um grito emudecido, um silêncio. Assim os vejo todas as manhãs quando sobre ti te inclinas ao espelho. Ó cara esperança, nesse dia saberemos também nós, que és a vida e és o nada.
Para todos a morte tem um olhar. Virá a morte e terá os teus olhos. Será como deixar um vício, como ver no espelho re-emergir um rosto morto, como ouvir lábios cerrados. Desceremos ao vórtice mudo.