sábado, 23 de fevereiro de 2013
Caderno: Poema
Caderno: Poema: Poema Os teus cabelos recendem a estevas e às descuidadas rosas que por acaso nasceram entre sebes. Já não sei distinguir: és tu que e...
Ferdowsi, um legado inigualável
Os persas consideram Ferdowsi como o maior dos seus poetas. Durante quase mil anos os persas continuaram a ler e ouvir recitações de sua obra-prima. É a história do passado glorioso do Irã, preservada no verso sonoro e majestoso. Apesar de escrito a cerca de 1.000 anos atrás, este trabalho é tão inteligível para os modernos falantes do persa quanto a versão do Rei James da Bíblia para um moderno falante do inglês. A linguagem original é o Pahlavi, um persa puro com uma mistura mínima do árabe.
- Encyclopædia BritannicaEstátua de Ferdwosi em Teerão
Hakim
Abol Qasem Ferdowsi Tousi (ou Firdausi), nasceu em Khorasan em um
vilarejo perto de Tus (Nordeste do Irã), no ano de 935. Seu grande épico, o
Shahnameh,"O
Livro dos Reis", ao qual ele
dedicou a maior parte de sua vida adulta, foi originalmente composto sob
patrocínio dos príncipes samânidas de Khorasan, que eram os principais
instigadores da revitalização das tradições culturais persas após a conquista
árabe do século VII. Durante a vida de Ferdowsi esta dinastia foi conquistada
pelos turcos Ghaznavidas, e há várias histórias em textos medievais que
descrevem a falta de interesse demonstrada pelo novo governante de Khorasan,
Mahmoud de Ghaznavi, por Ferdowsi e sua vocação. Diz-se que Ferdowsi morreu por
volta de 1020 na pobreza e amargurado pela negligência real, embora confiante em
sua fama e em seu último poema. O Shahnameh, além de ser um épico
nacional é um dos grandes clássicos da literatura mundial que conta a saga dos
heróis da antiga Pérsia. A forma e estilo com que o poeta descreve os eventos
leva os leitores de volta aos tempos antigos e faz com que estes sintam-se
vivenciando os eventos. Ferdowsi trabalhou durante trinta anos para terminar
esta obra-prima e é considerado como o maior poeta persa.
De acordo
com Nezami, Ferdowsi era um dehqan (classe de fazendeiros aristocratas
extremamente patriotas), de onde obtinha uma renda confortável a partir de suas
propriedades. Ele tinha apenas uma filha, e foi para fornecer a ela um dote que
ele se lançou à tarefa que o ocupou por mais de 30 anos (outras fontes contam
que ele também teve um filho que morreu aos 37 anos a quem ele dedicou uma
elegia que foi incluída no Shahnameh).
O
Shahnameh de Ferdowsi, um poema com cerca de 60.000 versos, é baseado
principalmente em uma obra em prosa de mesmo nome e foi compilada no início da
vida adulta do poeta em Tus, sua terra natal. Este Shahnameh em prosa era
em grande parte a tradução de uma obra Pahlavi (Médio persa), o
Khvatay-Namak, uma história dos reis da Pérsia desde os tempos míticos
até o reinado de Khosrow II (590-628 EC), mas também continha material adicional
continuando a história até a derrubada do sassânidas pelos árabes em meados do
século VII. O primeiro a realizar a versificação desta crônica da Pérsia
pré-islâmica e lendária foi Daqiqi, um poeta da corte dos samânidas, que teve um
fim trágico após completar apenas 1.000 versos. Estes versos, que tratam da
ascensão do profeta Zoroastro, foram mais tarde incorporados por Ferdowsi, com
confirmações devidas, em seu próprio poema. Uma característica importante deste
trabalho é que, durante o período em que o árabe foi conhecido como a principal
língua da ciência e da literatura, Ferdowsi utilizou-se apenas do persa em sua
obra-prima. Como diz o próprio Ferdowsi "a língua persa é revivida por este
trabalho".
De acordo com Nezami, Ferdowsi era um dehqan (classe de fazendeiros aristocratas extremamente patriotas), de onde obtinha uma renda confortável a partir de suas propriedades. Ele tinha apenas uma filha, e foi para fornecer a ela um dote que ele se lançou à tarefa que o ocupou por mais de 30 anos (outras fontes contam que ele também teve um filho que morreu aos 37 anos a quem ele dedicou uma elegia que foi incluída no Shahnameh).
De acordo com Nezami, Ferdowsi era um dehqan (classe de fazendeiros aristocratas extremamente patriotas), de onde obtinha uma renda confortável a partir de suas propriedades. Ele tinha apenas uma filha, e foi para fornecer a ela um dote que ele se lançou à tarefa que o ocupou por mais de 30 anos (outras fontes contam que ele também teve um filho que morreu aos 37 anos a quem ele dedicou uma elegia que foi incluída no Shahnameh).
O
Shahnameh de Ferdowsi, um poema com cerca de 60.000 versos, é baseado
principalmente em uma obra em prosa de mesmo nome e foi compilada no início da
vida adulta do poeta em Tus, sua terra natal. Este Shahnameh em prosa era
em grande parte a tradução de uma obra Pahlavi (Médio persa), o
Khvatay-Namak, uma história dos reis da Pérsia desde os tempos míticos
até o reinado de Khosrow II (590-628 EC), mas também continha material adicional
continuando a história até a derrubada do sassânidas pelos árabes em meados do
século VII. O primeiro a realizar a versificação desta crônica da Pérsia
pré-islâmica e lendária foi Daqiqi, um poeta da corte dos samânidas, que teve um
fim trágico após completar apenas 1.000 versos. Estes versos, que tratam da
ascensão do profeta Zoroastro, foram mais tarde incorporados por Ferdowsi, com
confirmações devidas, em seu próprio poema. Uma característica importante deste
trabalho é que, durante o período em que o árabe foi conhecido como a principal
língua da ciência e da literatura, Ferdowsi utilizou-se apenas do persa em sua
obra-prima. Como diz o próprio Ferdowsi "a língua persa é revivida por este
trabalho".
| Ferdowsi e os poetas da corte Ghaznavida |
Segundo a lenda, o sultão Mahmoud de Ghazni
ofereceu a Ferdowsi uma peça de ouro para cada verso do Shahnameh. O
poeta concordou em receber o dinheiro de uma só vez quando terminasse o trabalho
pois, ele planejava usá-lo para reconstruir os diques de Tus, sua cidade. Depois
de trinta anos de trabalho, Ferdowsi terminou a sua obra-prima,
o Shahnameh, em 1010, e foi apresentá-la a Mahmoud, que nessa época
havia se tornado governador de Khorasan. De acordo com Nezami, Ferdowsi veio a
Ghazni pessoalmente e através dos serviços do ministro Ahmad Ebn Hasan Meymandi
foi capaz de garantir a aceitação do poema perante o sultão. Porém,
infelizmente, Mahmoud consultou certos inimigos do ministro que sugeriram como
recompensa para o poeta a desprezível quantia de 50.000 dirhams, e mesmo
assim, ainda disseram que era demais, em vista de suas doutrinas heréticas
xiitas. Mahmoud, um sunita fanático, foi influenciado por essas palavras, e no
final Ferdowsi recebeu apenas 20.000 dirhams. Amargamente desapontado, ele foi
para o banho público e, ao sair, foi tomar um gole de foqa (um tipo de
cerveja) e acabou dividindo todo o dinheiro entre o atendente da casa de banhos
e do vendedor do foqa. Temendo a ira do sultão, ele fugiu, primeiro para
Herat, onde se escondeu por seis meses, e depois, pelo caminho de Tus, para
Mazanderan, onde encontrou refúgio na corte de Shahreyar Sepahbad, cuja família
reivindicava ser dos últimos descendentes dos sassânidas (a última dinastia
pré-islâmica do Irã). Ali Ferdowsi compôs uma sátira de 100 versos sobre Sultan
Mahmoud que inseriu no prefácio do Shahnameh e o leu para Shahreyar, ao
mesmo tempo, oferecendo-se para dedicar o poema a ele, como um descendente dos
antigos reis da Pérsia, em vez de Mahmoud. Shahreyar, no entanto, convenceu-o
tirar a sátira a Mahmoud, e comprou-a pelo valor de 1.000 dirhams por verso. O
texto integral desta sátira, tendo todos os sinais de autenticidade, sobreviveu
até o presente. De acordo com a narrativa de Nezami, Ferdowsi morreu
intempestivamente, assim como o sultão Mahmoud havia resolvido pedir desculpas
ao poeta , enviando-lhe 60.000 dinares, mas quando a caravana levando o dinheiro
chegou em Tus reuniu-se um cortejo fúnebre: o poeta havia morrido. Nezami não
menciona a data da morte de Ferdowsi. A primeira data determinada pelas
autoridades é 1020 e a mais recente é 1026, só se sabe ao certo que ele viveu
mais de 80 anos.
Ferdowsi foi enterrado em sua própria horta, no
cemitério muçulmano de Tus onde um governador Ghaznavid de Khorasan construiu um
mausoléu sobre o túmulo que se tornou um local reverenciado. O túmulo, que tinha
entrado em decadência, foi reconstruído entre 1928 e 1934 sob as ordens do Xá
Reza e agora se tornou o equivalente a um santuário nacional.
O Legado de Ferdowsi
|
Túmulo de Ferdowsi na cidade de Tus |
Depois do Shahnameh de Ferdowsi uma série de outras obras
semelhantes surgiram ao longo dos séculos dentro da esfera cultural da língua
persa. Sem exceção, todas essas obras foram baseadas no estilo e no método do
épico, mas nenhum deles conseguia alcançar o mesmo grau de fama e popularidade
como a obra-prima de Ferdowsi.
Ferdowsi tem um lugar único na história persa
por causa dos avanços que ele fez em revitalizar e regenerar as tradições
linguísticas e culturais persas. Seus trabalhos são responsáveis por manter
grande parte da língua persa codificada e intacta. A este respeito, Ferdowsi
supera Nizami , Khayyam , Asadi Tusi e outras seminais figuras literárias por
seu impacto sobre a cultura e a linguagem persa. Muitos iranianos modernos o
consideram como o pai da língua persa moderna.
Ferdowsi inspirou o Reza Shah Pahlavi na
criação da "Academia de Cultura" no Irã, para tentar remover palavras em árabe e
turco da língua persa, substituindo-as por alternativas adequadas em persa. Em
1934, o Xá instituiu uma cerimônia em Mashhad, na província doKhorasan para
comemorar mil anos de literatura persa desde a época de Ferdowsi, intitulada
"Ferdowsi Millenary Celebration "convidando notáveis estudiosos europeus e
iranianos. Em Mashhad, há uma universidade criada em 1949 que também leva o nome
de Ferdowsi.
sábado, 2 de fevereiro de 2013
2 Poemas de Emily Dickinson
Aqui ficam duas traduções de Manuel Bandeira de Emily Dickinson:
Acomodada em meu túmulo,
Alguém que morrera pela verdade
Era depositado no carneiro contíguo.
Perguntou-me baixinho o que me matara:
- A beleza, respondi.
- A mim, a verdade – é a mesma coisa.
Somos irmãos.
E assim, como parentes que uma noite se encontram,
Conversámos de jazigo a jazigo,
Até que o musgo alcançou os nossos lábios
E cobriu os nossos nomes.
Nunca vi um campo de urzes.
Também nunca vi o
mar.
No entanto sei a urze como é,
Posso a onda imaginar.
Nunca estive no Céu,
Nem vi Deus. Todavia
Conheço o sítio como se
Tivesse em mãos um guia.
BELEZA E VERDADE
Morri pela beleza, mas apenas
estavaAcomodada em meu túmulo,
Alguém que morrera pela verdade
Era depositado no carneiro contíguo.
Perguntou-me baixinho o que me matara:
- A beleza, respondi.
- A mim, a verdade – é a mesma coisa.
Somos irmãos.
E assim, como parentes que uma noite se encontram,
Conversámos de jazigo a jazigo,
Até que o musgo alcançou os nossos lábios
E cobriu os nossos nomes.
NUNCA VI UM CAMPO DE URZES
Nunca vi um campo de urzes.
No entanto sei a urze como é,
Posso a onda imaginar.
Nunca estive no Céu,
Nem vi Deus. Todavia
Conheço o sítio como se
Tivesse em mãos um guia.
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
The poem of the Atoms (do filme Bab'Aziz)
Sinopse
Um poema visual de enorme beleza, uma obra de arte de Nacer Khemir, Baba Aziz encerra a trilogia do deserto. O filme inicia-se com a estória de um dervixe chamado Baba Aziz e sua neta espiritual, Ishtar. Juntos, percorrem o deserto atrás de uma grande reunião de dervixes que ocorre uma vez a cada 30 anos. Tendo a fé como único guia, os dois viajam por vários dias pela imensidão. Para ajudar a suportar a viagem, Baba Aziz passa a contar estórias do príncipe do deserto que contemplava sua alma ao lado de uma pequena piscina. No decorrer da narrativa, os viajantes encontram outros que também contam suas estórias.Repleto de imagens maravilhosas e belíssima música, Nacer Khemir criou uma fábula inédita e encantadora filmada nas areias da Tunísia e do Irã. O roteiro desse filme foi escrito pelo próprio Khemir, em parceria com Tonino Guerra, autor de diversos roteiros de grande sucesso (Amarcord, Night of the Shooting Stars, Blowup, entre outros)
Título Original: Bab'Aziz , le prince qui contemplait son âme
Gênero: Aventura, Drama, Fantasia
Estreia no Brasil: 2006
Duração: 96 minutos
Seven Advices of Mevlana RUMI:
1. In generosity and helping others be like a river.
2. In compassion and grace be like the sun.
3. In concealing others' faults be like the night.
4. In anger and fury be like one who is dead.
5. In modesty and humility be like the earth.
6. In tolerance be like a sea.
7. Either exist as you are or be as you look."
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
quarta-feira, 28 de novembro de 2012
Grandeza do Homem
Somos a grande ilha do silêncio de deus
Chovam as estações soprem os ventos
jamais hão-de passar das margens
Caia mesmo uma bota cardada
no grande reduto de deus e não conseguirá
desvanecer a primitiva pegada
É esta a grande humildade a pequena
e pobre grandeza do homem
Ruy Belo, in "Aquele Grande Rio Eufrates"
Giotto, Juízo Universal - fresco 1000x840, capella Arena, Pádua
Somos a grande ilha do silêncio de deus
Chovam as estações soprem os ventos
jamais hão-de passar das margens
Caia mesmo uma bota cardada
no grande reduto de deus e não conseguirá
desvanecer a primitiva pegada
É esta a grande humildade a pequena
e pobre grandeza do homem
Ruy Belo, in "Aquele Grande Rio Eufrates"
Giotto, Juízo Universal - fresco 1000x840, capella Arena, Pádua
sábado, 17 de novembro de 2012
Raiz judaica do Cantar Alentejano…

Sempre ouvi dizer que as raízes dos cantares tradicionais alentejanos eram árabes, e que remontavam aos séculos de domínio muçulmano do Sul de Portugal mas, confesso, e apesar de conhecer bastante música árabe, nunca encontrara entre elas qualquer analogia. Inclusive, alguma tentativas de aproximação entre as duas empreendidas por músicos contemporâneos, apesar de agradáveis, tinham sempre um sabor a casamento forçado.
Curiosamente, foi nas sinagogas sefarditas que encontrei melodias que me faziam de imediato lembrar as “modas” alentejanas das terras dos meus país.
As semelhanças encontram-se no todo, mas elas notam-se principalmente em pontos de contacto muito específico – o maior dos quais a sua forma “responsiva”, pois tanto na oração judaica como no cantar tradicional alentejano há um “líder” e um coro que responde. Mas é a forma como essa relação, esse diálogo melódico, se desenrola que parece deixar pouca margem para dúvidas acerca da evidente afinidade.
::PARA OUVIR::
Kedushah, gravada na Sinagoga Portuguesa e Espanhola de Londres, nos finais dos anos 50 e editada em 1960 pela Folkways Records, de Nova Iorque.
Meu Alentejo Querido, pelo Grupo Coral e Etnográfico “Os Ceifeiros de Pias”, editado em 2001 no CD Vozes do Sul.
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
"A caridade é o poder de defender aquilo que sabemos indefensável. A esperança é o poder de estar bem disposto em circunstâncias que sabemos desesperadoras. A virtude da esperança existe apenas nos terremotos e nos eclipses. [...] É exatamente no instante em que a esperança deixa de ser razoável é que começa a ser útil. [...] A virtude da humildade, embora seja prática a ponto de vencer batalhas, será sempre paradoxal o bastante para confundir os pedantes."
(G. K. Chesterton - Hereges - Cap. XIII )
Sophia - poema
Apesar das ruínas e da morte,
Onde sempre acabou cada ilusão,
A força dos meus sonhos é tão forte,
Que de tudo renasce a exaltação
E nunca as minhas mãos ficam vazias.
Sophia de Mello Breyner
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