segunda-feira, 20 de julho de 2015
quarta-feira, 1 de julho de 2015
O homem que contempla - poema de Rainer Maria Rilke [1875-1926], in “O Livro das Imagens”, (tradução de Maria João Costa Pereira)
Vejo que as tempestades vêm aí
pelas árvores que, à medida que os dias se tomam mornos,
batem nas minhas janelas assustadas
e ouço as distâncias dizerem coisas
que não sei suportar sem um amigo,
que não posso amar sem uma irmã.
E a tempestade rodopia, e transforma tudo,
atravessa a floresta e o tempo
e tudo parece sem idade:
a paisagem, como um verso do saltério,
é pujança, ardor, eternidade.
Que pequeno é aquilo contra que lutamos,
como é imenso, o que contra nós luta;
se nos deixássemos, como fazem as coisas,
assaltar assim pela grande tempestade, —
chegaríamos longe e seríamos anónimos.
Triunfamos sobre o que é Pequeno
e o próprio êxito torna-nos pequenos.
Nem o Eterno nem o Extraordinário
serão derrotados por nós.
Este é o anjo que aparecia
aos lutadores do Antigo Testamento:
quando os nervos dos seus adversários
na luta ficavam tensos e como metal,
sentia-os ele debaixo dos seus dedos
como cordas tocando profundas melodias.
Aquele que venceu este anjo
que tantas vezes renunciou à luta,
esse caminha erecto, justificado,
e sai grande daquela dura mão
que, como se o esculpisse, se estreitou à sua volta.
Os triunfos já não o tentam.
O seu crescimento é: ser o profundamente vencido
por algo cada vez maior.
pelas árvores que, à medida que os dias se tomam mornos,
batem nas minhas janelas assustadas
e ouço as distâncias dizerem coisas
que não sei suportar sem um amigo,
que não posso amar sem uma irmã.
E a tempestade rodopia, e transforma tudo,
atravessa a floresta e o tempo
e tudo parece sem idade:
a paisagem, como um verso do saltério,
é pujança, ardor, eternidade.
Que pequeno é aquilo contra que lutamos,
como é imenso, o que contra nós luta;
se nos deixássemos, como fazem as coisas,
assaltar assim pela grande tempestade, —
chegaríamos longe e seríamos anónimos.
Triunfamos sobre o que é Pequeno
e o próprio êxito torna-nos pequenos.
Nem o Eterno nem o Extraordinário
serão derrotados por nós.
Este é o anjo que aparecia
aos lutadores do Antigo Testamento:
quando os nervos dos seus adversários
na luta ficavam tensos e como metal,
sentia-os ele debaixo dos seus dedos
como cordas tocando profundas melodias.
Aquele que venceu este anjo
que tantas vezes renunciou à luta,
esse caminha erecto, justificado,
e sai grande daquela dura mão
que, como se o esculpisse, se estreitou à sua volta.
Os triunfos já não o tentam.
O seu crescimento é: ser o profundamente vencido
por algo cada vez maior.
sábado, 27 de junho de 2015
quinta-feira, 25 de junho de 2015
quinta-feira, 11 de junho de 2015
Händel
13 Variations on the Sarabande from
Keyboard Keyboard in D minor (HWV 437)
Archguitar: Peter Blanchette
quarta-feira, 3 de junho de 2015
quarta-feira, 8 de abril de 2015
«A velhice – ou a maturidade desce também sobre o mundo exterior. A rígida e transparente noite invernal, que desenha as silhuetas das casas num céu que espere a neve, tocava outrora o coração e abria um mundo de angústia heroica.
Com o tempo, não é necessário movermo-nos no mundo exterior para vivermos a angústia que ele provoca: basta um rápido aceno, saber que existe e existe em nós, e esperar um mundo inteiramente feito de vida interior, que adquiriu agora a novidade e a fecundidade da Natureza. A maturidade é também o seguinte: não procurar fora, mas deixar que fale, com o seu ritmo (que é o único que conta), a vida interior. Daqui em diante, o mundo exterior é material e pobre perante a inesperada e profunda autoridade das recordações. Também o nosso sangue e o nosso corpo amadureceram e ficaram impregnados de espiritualidade, de ritmo largo.
Renasce, como corolário, o antigo pensamento de que o génio é fecundidade ─ oitenta tragédias, vinte romances, trinta óperas, etc. porque o génio não é descobrir um tema exterior e dar-lhe um tratamento literário brilhante, mas conseguir finalmente possuir a nossa própria experiência, o nosso próprio corpo, as nossas próprias recordações, o nosso próprio ritmo ─ e exprimir, exprimir este ritmo, fora dos limites dos enredos, da matéria, na perene fecundidade de um pensamento que, por definição, não tem fundo.
A juventude não tem génio e não é fecunda.»
Cesare Pavese
o ofício de viver - diário (1935-1950)
trad. alfredo amorim
relógio d´água
2004
Judith Teixeira, finalmente!
Sinopse:
«Apesar de Fernando Pessoa ter declarado, em carta de 1924, que Judith Teixeira não tinha «lugar, abstrata e absolutamente falando», o facto é que conservou até à morte um exemplar da revista Europa por ela dirigida. Será então correto afirmar que as mulheres não tiveram qualquer lugar de protagonismo no momento de rutura e transgressão que foi o modernismo português? E, se o tiveram, porque é que foram esquecidas? Chegou a altura de reler Judith Teixeira sem preconceitos. Nascida tal como Pessoa em 1888, e contemporânea de Florbela Espanca, outra mulher a quem quiseram aplicar o rótulo de «poetisa», Judith Teixeira rompeu corajosamente com o padrão do silenciamento das mulheres no contexto do Portugal das années folles, para se tornar um sujeito ativo, que desvendou o corpo feminino sem pejo.
Esta nova edição traz a lume cerca de vinte poemas desconhecidos e uma conferência inédita, além de reunir as cinco obras de poesia e prosa que Judith Teixeira publicou em vida. No seu conjunto, o presente volume permite-nos situar devidamente esta escritora no lugar que lhe pertence por direito próprio, ou seja, em plena vanguarda modernista.»
Judith Teixeira (1888-1959) alcançou notoriedade em Março de 1923 no seguimento da publicação da sua primeira coletânea de poesia, Decadência, quando foi alvo de uma polémica sobre a (i)moralidade da arte, a qual envolveu também António Botto e Raul Leal. Antes disso, Judith já havia publicado em vários jornais, sob o pseudónimo de Lena de Valois, e contribuído para a Contemporânea, conceituada revista modernista. Apesar do escândalo, publicou mais dois livros de poesia, Castelo de Sombras (1923) e Nua. Poemas de Bizâncio (1926), e duas novelas publicadas sob título de Satânia (1927). Caso altamente invulgar para uma mulher desse período, Judith foi diretora da revista Europa em 1925 e escreveu uma palestra, intitulada De mim. Em que se explicam as minhas razões sobre a Vida, sobre a Estética, sobre a Moral (1926), provavelmente o único manifesto artístico modernista de autoria feminina no início do século XX em Portugal. Morreu quase desconhecida e permaneceu injustamente expurgada da memória coletiva e da história literária até recentemente, seguramente por causa do subtexto lésbico presente em vários dos seus poemas.
domingo, 22 de março de 2015
Novo Doutor da Igreja - São Gregório de Narek
Francisco confirmou o título ao santo durante audiência com o prefeito da Congregação das Causas dos Santos
Da Redação, com Agência Ecclesia
O Papa Francisco vai proclamar como Doutor da Igreja São Gregório de Narek, místico armênio do fim do primeiro milênio conhecido por sua escrita e doutrina. A informação foi dada nesta, segunda-feira, 23, pelo Vaticano, após o encontro entre o Papa e o prefeito da Congregação das Causas dos Santos, Cardeal Angelo Amato, no sábado, 21.
Nascido em uma família de escritores, São Gregório de Narek (950-1005) é considerado o primeiro grande poeta armênio e um grande marco na literatura e reflexão cristã. Ele é autor, entre outras obras, do “Livro das Lamentações”, hoje traduzido em diversas línguas.
Por meio deste livro, o monge quis deixar às pessoas uma autêntica enciclopédia de oração, composta por 95 trechos, que deixam transparecer todo o potencial do autor em transformar emoções como o sofrimento ou a humildade em ofertas a Deus.
Para São Gregório de Narek, o principal objetivo da vida era a proximidade com Deus, pois só assim a humanidade poderia viver uma vida verdadeiramente plena. Uma aproximação que era possível não pelo conhecimento, mas sim através das emoções, defendia o místico.
Doutor da Igreja é um título concedido a um cristão – homem ou mulher – que se distinguiu por notório saber teológico em qualquer época da história. Os doutores da Igreja recebem tal título tendo em vista sua santidade, ortodoxia à fé e saber teológico, atestado por vários escritos.
Fonte:CN
terça-feira, 10 de março de 2015
Giovanni Battista Pergolesi "Fac, ut portem Christi mortem"
Stabat Mater.
10.- Aria (contratenor). Fac, ut portem Christi mortem
10.- Aria (contratenor). Fac, ut portem Christi mortem
quarta-feira, 10 de dezembro de 2014
Balada de Sesimbra
Ao Rafael Monteiro
Balada de Sesimbra
Em Sesimbra me fiquei
A alma de si esquecida
E aquele antigo Rei
No meu ser fundo dormindo
Pretende que assim não é vida.
Aqui no extremo de tudo
A noite é bem mais comprida
E o antigo Rei está mudo
O antigo Rei já é nada
Nem sequer pretende a vida.
E o sol que corre no céu
Essa luz que é só por fora
Fecho os olhos, quem sou eu?
O Rei dormindo que é nada
Na noite que sou agora.
Curso divino do sol,
Trazê-lo p’ra dentro de mim
Ser por dentro um girassol
Aqui no extremo do mundo
Onde estou só porque sim.
António Telmo
terça-feira, 9 de dezembro de 2014
segunda-feira, 26 de maio de 2014
segunda-feira, 28 de abril de 2014
Uma partida não anunciada: Vasco Graça Moura
(Foz do Douro, 3 de Janeiro de 1942 — Lisboa, 27 de Abril 2014) foi um poeta, escritor, tradutor e político português.
Vasco Graça Moura morreu hoje de manhã. Tinha 72 anos. Poeta, ensaísta, ficcionista e tradutor, deixa uma obra que marca o século XX português. Actual presidente da Fundação Centro Cultural de Belém, Graça Moura ocupou nos últimos quarenta anos diversos cargos institucionais. Director de programas da RTP; presidente da Imprensa Nacional / Casa da Moeda (a ele se devendo a edição portuguesa, em 41 volumes, da enciclopédia Einaudi); presidente da Comissão Executiva das Comemorações do Centenário de Fernando Pessoa; comissário-geral de Portugal para a Exposição Universal de Sevilha; presidente da Comissão Nacional dos Descobrimentos (1988-95); director da revista Oceanos; director da Fundação Casa de Mateus; membro do conselho-geral da Comissão Nacional da UNESCO; director do Serviço de Bibliotecas e Apoio à Leitura da Fundação Calouste Gulbenkian (1996-99) e também consultor da FLAD. Além de diversos prémios literários, em Portugal e no estrangeiro, recebeu em 1995 o Prémio Pessoa. Há três meses foi-lhe outorgada a Grã-Cruz da Ordem de Santiago da Espada. Homem de convicções fortes, nunca se preocupou com a ideologia dos seus pares. Várias vezes compilada, a obra poética [1962-2010] encontra-se disponível em dois volumes que a Quetzal publicou em Outubro de 2012 com o título de Poesia Reunida.
Traduziu, entre muitas outras obras, Os sonetos a Orfeu e Elegias de Duíno de Rilke, A Divina Comédia de Dante, Os sonetos de Shakespeare, Petrarca, Villon, e Gottfried Benn.
Excerto do poema Lamento para a língua portuguesa
«não és mais do que as outras, mas és nossa,
e crescemos em ti. nem se imagina
que alguma vez uma outra língua possa
pôr-te incolor, ou inodora, insossa,
ser remédio brutal, mera aspirina,
ou tirar-nos de vez de alguma fossa,
ou dar-nos vida nova e repentina.
mas é o teu país que te destroça,
o teu próprio país quer-te esquecer
e a sua condição te contamina
e no seu dia-a-dia te assassina.»
de Vasco Graça Moura
Por certo, Vasco Graça Moura fará a sua ascensão aos céus na companhia do Anjo de Portugal! Merece-o por todo o amor e dedicação consagrados à Pátria.
A nós, portugueses e europeus, resta-nos agradecer o trabalho que nos legou, bem como o esforço e dedicação que empregou na preservação do nosso património cultural e civilizacional. Honremos a sua memória e saibamos prosseguir vitoriosamente as suas lutas, em particular, aquela que nos move em prol da defesa e preservação da Língua Portuguesa!
quarta-feira, 5 de março de 2014
sábado, 22 de fevereiro de 2014
terça-feira, 18 de fevereiro de 2014
domingo, 16 de fevereiro de 2014
Oito coisas que você não sabia sobre seu sono
Aciência sempre desconfiou que o sono fosse pior durante a lua cheia porque há vários registos de reclamações do tipo, mas só um estudo recente achou uma relação real entre os ciclos lunares e o sono. No estudo, detectou-se que durante a Lua cheia, a actividade cerebral relacionada ao sono profundo caiu 30%, as pessoas demoram mais para dormir e dormem por cerca de 20 minutos menos.
A hipótese é que nosso corpo possa ter uma espécie de relógio lunar que afecte nossos ciclos hormonais de alguma maneira que a ciência ainda não entende.
Sono placebo funciona
Se você acha que dormiu bem, seu dia será melhor, mesmo que na média seu sono tenha sido igual a qualquer outro dia.
Em um estudo recente, cientistas descobriram que se você acredita que dormiu bem, você tem um dia melhor. No estudo, pesquisadores fingiram registar a actividade cerebral das pessoas durante o sono mas e disseram a algumas delas - aleatoriamente - que elas tinham dormido bem. As pessoas que receberam essa informação foram melhor em um teste cognitivo no dia seguinte.
Durma mal, coma pior
Dormir mal aumenta suas chances de querer comer o que não deve. Esse estudo de 2013 identificou que, depois de uma noite de sono complicada, há mais actividade cerebral nas áreas geralmente associadas com recompensas e comportamento impulsivo, o que afecta o auto controle das pessoas e as faz comer mais besteiras e junk food.
Durante o sono, memórias emocionais são catalogadas e fixadas
É importante dormir bem porque é durante o sono que nossas memórias, inclusive as emocionais, são catalogadas e fixadas ou, então, jogadas fora, se o cérebro julgar que você não precisa delas, de acordo com esse estudo aqui.
Dormir ajuda a limpar o cérebro de neurotoxinas ligadas a Alzheimer
Uma pesquisa recente trouxe a ciência mais perto de descobrir exactamente porque a gente dorme: no sono, o cérebro se enche de fluído neuro espinal, que ajuda a limpar toxinas que se acumulam durante o dia e que estão associadas ao surgimento de Alzheimer. Isso pode explicar, inclusive, porque a gente fica meio grogue quando não dorme: é como se nosso cérebro ficasse 'intoxicado'.
Soneca de seis minutos já te deixa descansado
Até uma sonequinha de seis minutos já pode melhorar sua capacidade cognitiva. Esse estudo comprovou que, diante do cansaço, sonecas de 6 minutos foram o suficiente pra deixar as pessoas mais alerta.
O cérebro de quem dorme tarde é diferente
Você gosta de ir dormir cedo ou fica acordado até tarde? Por que, dependendo da situação, seu cérebro pode ter a fisiologia diferente. Uma pesquisa mostrou que quem gosta de ir dormir tarde e de acordar tarde tem menos integridade de matéria branca em várias áreas do cérebro. E baixa integridade nessas áreas está relacionada à depressão e instabilidade cognitiva, em alguns casos - cientistas desconfiam que é porque quem gosta de ir dormir tarde acaba obrigado a acordar cedo porque é assim que a sociedade funciona, e por estarem com o cérebro sempre cansado, podem apresentar instabilidades cognitivas.
Nossos sonhos podem ser influenciados por coisas bizarras
Dormir de bruços aumenta suas chances de ter sonhos eróticos, o campo magnético da Terra pode afectar seus sonhos (quanto menos a actividade magnética, mais esquisitos os sonhos ficam, de acordo com esse estudo), comer queijo antes de dormir pode afectar seus sonhos (dependendo do tipo de queijo, inclusive). Por essa, você não esperava.
(Fonte: um site do Brasil)
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